Quando a guerra na Ucrânia começou em fevereiro de 2022, a LVMH fechou as suas lojas Louis Vuitton, Dior e Bulgari na Rússia poucos dias antes da Europa impor sanções de exportação sobre bens de luxo. O grupo – controlado pelo bilionário francês Bernard Arnault, o homem mais rico do país – também vendeu as lojas Sephora (com prejuízo, como quase todos os que se viram obrigados a sair), E a LVMH doou cinco milhões de euros às vítimas do que chamou de “situação trágica” na Ucrânia.
Um dos seus negócios na Rússia, no entanto, continuou a operar, segundo adianta a agência Reuters: o Grand Hotel Europe (nome usado para um recente romance sobre a predação do turismo der massas na Europa), em São Petersburgo, pertencente à rede Belmond da LVMH, que opera hotéis e comboios de luxo. A operação é totalmente legal (não está sujeita a sanções) e continua a receber pagamentos por serviços prestados a clientes corporativos aprovados pela Europa e pelo Reino Unido, incluindo grandes empresas russas de transporte, energia e media, bem como bancos e contratados militares, segundo a Reuters. O hotel foi retirado do site de reservas da Belmond em 2023.
A propriedade do hotel por Belmond, no entanto, continua a aparecer em registos corporativos russos, britânicos e franceses. Belmond é 100% propriedade da LVMH, de acordo com o balaço de 2025 no capítulo dos ativos. Os nomes dos clientes corporativos do hotel, incluindo os sancionados, aparecem em registos de imposto sobre valor agregado. Questionado pela Reuters sobre as operações e negócios do hotel com clientes sancionados, a LVMH disse que o Grand Hotel Europe “opera de forma autónoma e independente da Belmond.” O hotel “não faz parte dos sistemas de distribuição da Belmond e a equipa local dedicada na Rússia administra esta propriedade histórica separadamente”, disse o grupo, sem responder mais a perguntas.
A LVMH, o maior conglomerado de luxo do mundo, considerou fechar a propriedade, mas acabaram por não o fazer. Situado no Nevsky Prospekt, no coração de São Petersburgo desde 1875, o Grand Hotel Europe recebeu hóspedes como o então príncipe Carlos de Inglaterra, as estrelas pop Elton John e Whitney Houston ou, muito antes, o compositor Pyotr Tchaikovsky. No ano passado, ali decorreu uma reunião entre enviados diplomáticos norte-americanos e russos para discutirem a guerra na Ucrânia.
A decisão da LVMH de manter a propriedade pode fazer parte de uma ambição de longo prazo de reentrar no mercado russo, disse um analista citado pela Reuters. Além disso, desfazerem-se de uma propriedade icónica com um desconto gigantesco pode ter parecido à LVMH um disparate inconsequente.
A maioria das redes de hotéis ocidentais – incluindo a Marriott, Four Seasons e a proprietária da InterContinental, a IHG – cortou laços com a Rússia. Ao contrário de Belmond, todos estes grupos funcionavam por meio de investidores terceirizados, permitindo que se retirassem rapidamente da Rússia. Outros, incluindo a Hilton, interromperam novos investimentos, mas ainda operam ali.
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