Greve dos motoristas: Ninguém está a carregar ou a descarregar na refinaria de Matosinhos

Ninguém “está a carregar ou a descarregar” combustível na refinaria da Petrogal em Matosinhos e nenhum motorista está a cumprir os serviços mínimos, disse hoje à Lusa um dos coordenadores do Norte do sindicato dos motoristas de matérias perigosas.

Nome do ficheiro: greve-motoristas-matérias-perigosas.jpg
Carlos Barroso/Lusa

“Aqui não está ninguém a carregar nem a descarregar. Quem ia fazer os serviços mínimos não os cumpriu. Está aqui, junto ao piquete de greve. São cerca de 40 a 50 pessoas. Está tudo tranquilo, não há qualquer problema”, garantiu à Lusa Manuel Mendes, coordenador do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), cujo porta-voz anunciou hoje que os trabalhadores não vão cumprir serviços mínimos nem a requisição civil.

O coordenador do Norte do SNMMP acrescentou que, neste terceiro dia de paralisação, estão à porta da Refinaria da Petrogal em Leça da Palmeira, concelho de Matosinhos, distrito do Porto, entre “80 a 100” motoristas em greve.

“Abordámos alguns [motoristas] de camiões mas está tudo bem. As pessoas que iam fazer os serviços mínimos estão aqui [à porta]”, notou.

Na segunda-feira, outro coordenador do SNMMP constatava que, na refinaria da Petrogal em Matosinhos, o movimento era o de “um dia normal, ou até mais”, com os serviços a funcionar “a 100%”.

O porta-voz dos motoristas de matérias perigosas afirmou hoje que, “em solidariedade com os seus colegas [que foram notificados por alegadamente não terem cumprido os serviços mínimos], ninguém vai sair hoje” para fazer qualquer serviço.

Pardal Henriques falava em Aveiras de Cima, Lisboa, notando que “ninguém vai cumprir nem serviços mínimos nem requisição civil”.

“Não vão fazer absolutamente nada”, sublinhou o também assessor jurídico SNMMP.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, disse na terça-feira que 14 trabalhadores não cumpriram a requisição civil decretada pelo Governo na greve dos motoristas.

“Foi-nos comunicado [pelas empresas] o não cumprimento da requisição civil por parte de 14 trabalhadores”, disse o ministro do Ambiente em conferência de imprensa de balanço do segundo dia da greve dos motoristas.

O ministro informou também que a 11 desses trabalhadores “já foi feita a devida notificação”, referindo que primeiro é feita a “notificação do incumprimento e depois é que há a notificação de estarem a cometer um crime de desobediência”.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem hoje o terceiro dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Portugal está, desde sábado e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que permitiu a constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Ler mais
Recomendadas

Brexit: Juncker recorda a Johnson que cabe ao Reino Unido apresentar propostas

O presidente Juncker sublinhou a permanente disponibilidade e abertura da Comissão para examinar se essas propostas correspondem aos objetivos do ‘backstop’”.

Primeiro-ministro mentiu à Rainha sobre suspensão do Parlamento? Boris Johnson diz “que não”

Depois do tribunal da Escócia ter acusado o primeiro-ministro de enganar a Rainha Isabel II de um“propósito impróprio de impedir o Parlamento”, Boris Johnson vem agora negar as acusações afirmando que o tribunal do Reino Unido está do seu lado.

Governo britânico com cenário catastrófico de Brexit sem acordo: falta de comida e medicamentos, aumento dos preços da luz, Gibraltar bloqueado

Falta de comida e medicamentos, aumento significativo dos preços, bloqueio de travessias no Canal da Mancha e protestos são algumas das previsões de “pior cenário possível” para um Brexit sem acordo.
Comentários