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Gronelândia cria entraves a investimento estrangeiro indesejado

A intenção era a de impedir que a China se apossasse dos ativos imobiliários da ilha, mas as ambições dos Estados Unidos mudaram a forma como os seus responsáveis observam o investimento estrangeiros. Afinal, o perigo vem do Ocidente e não do Oriente.
Gronelândia
26 Fevereiro 2026, 09h37

Um aumento dos interesses imobiliários dos Estados Unidos em Nuuk, capital da Gronelândia, no início do ano passado levou os responsáveis políticos da ilha administrada pela Dinamarca a lançares restrições aos investimentos estrangeiras e a afinarem o foco da triagem desses investimentos. Em janeiro de 2025, numa altura em que Donald Trump, renovou os seus esforços para controlar a ilha do Ártico, empresas imobiliárias da capital da Gronelândia começaram a receber múltiplas consultas de compradores norte-americanos. Até então, o investimento estrangeiro demonstrava pouco interesse em propriedades na cidade onde vivem cerca de 20 mil habitantes. “Os mais agressivos queriam comprar tudo o que estivesse disponível no mercado”, disse um advogado de Nuuk, citado pela agência Reuters.

O dilema que se instalou era o de encontrar um equilíbrio entre a necessidade de atrair capital estrangeiro para impulsionar a economia – coisa que se revelou sempre muito difícil – e o de bloquear o assalto à sua soberania com o recurso à posse de ativos gronelandeses. De qualquer modo, o interesse repentino alarmou os políticos do território, que temem que compradores externos possam expulsar os moradores do já apertado mercado imobiliário de Nuuk. Em fevereiro de 2025, o governo local reforçou os controlos sobre a compra de propriedades por parte de estrangeiros, mas teve que rever as avaliações – no sentido de perceber a origem e os motivos por trás do súbito interesse imobiliário.

Um projeto de lei de triagem de investimentos estrangeiros, em debate há muito e formalmente submetido ao parlamento em outubro, foi inicialmente concebido em parte como uma salvaguarda contra qualquer investimento chinês indesejado. Mas o foco mudou depois das ambições de Trump na Gronelândia, como a ilha a perceber que o perigo vinha exatamente do lado contrário.

Há muito que a Gronelândia tenta diversificar a economia, principalmente atraindo investimentos para o setor de mineração. No entanto, as infraestruturas limitadas, incluindo a falta de estradas que liguem as 72 cidades da região, condições climáticas extremas e escassez de mão de obra, têm dificultado a atração de capital estrangeiro significativo.

A Dinamarca destinou recursos extraordinários para infraestrutura e outras iniciativas de desenvolvimento, e a União Europeia propôs duplicar o seu financiamento. Ainda assim, a economia da nação ártica permanece estagnada, com crescimento de apenas 0,2% em 2025 e um défice significativo nas finanças públicas.

Debatido pela primeira vez em novembro, o projeto de lei de triagem está previsto para discussão adicional em abril e deve ser aprovado nesse mês. O rascunho exige que investidores estrangeiros divulguem a origem dos seus fundos e permite que as autoridades rejeitem negócios se as filiações políticas ou intenções dos investidores levantarem preocupações. A proposta de lei concede à Gronelândia a autoridade para rever investimentos estrangeiros considerados uma ameaça à segurança.


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