Donald Trump ameaçou impor tarifas aos países que não concordem com o plano dos Estados Unidos para a Gronelândia. A ideia foi transmitida há pouco à margem de um evento na Casa Branca, citada pela Sic Notícias. Não é a primeira vez que Trump ameaça com tarifas a propósito da Gronelândia – nem é certamente uma surpresa para os países europeus.
Em janeiro do ano passado, acabado de chegar à Casa Branca para um segundo mandato, Donald Trump ameaçou penalizar a Dinamarca com tarifas “a um nível muito elevado” se o seu plano de tomada de posse – de forma não especificada – não merecesse a concordância da Dinamarca enquanto potência administrativa. Em vista estaria a compra da ilha, uma medida a que Trump se referiu pela primeira vez em 2016, ainda no seu primeiro mandato.
Na altura, Trump disse que “As pessoas não sabem se a Dinamarca tem qualquer direito legal sobre a Gronelândia, mas se tiverem, devem abandoná-lo, porque necessitamos dela para a segurança nacional”. Na altura, o tema da Gronelândia e da prioridade de segurança que ali estava implicada foi misturada com a questão do Panamá – onde Trumpo ameaçava intervir militarmente se os responsáveis pelo canal não se libertassem da influência dos interesses chineses. A questão do Canadá como eventual 51º Estado dos EUA é também contemporâneo.
Os responsáveis de todos os países visados tinham já rejeitado as ideias de expansão territorial de Trump. Na altura, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, insistiu que a questão da venda nem sequer chegava a ser uma questão. Mas admitiu que o seu país teria interesse em aumentar a colaboração com os Estados Unidos na região do Atlântico Norte.
Esta quinta-feira, uma delegação de alto nível da Dinamarca e da Gronelândia encontrou-se em Washington com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio. Mas o entendimento entre as duas partes foi nulo. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Rasmussen, afirmou que o país deseja trabalhar com os Estados Unidos, mas que isso deve respeitar as linhas vermelhas estabelecidas pela parte europeia. “Podemos cooperar sem sermos controlados pelos EUA”. “Ainda temos uma discordância de fundo”.
A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, disse que é possível fortalecer a cooperação com os Estados Unidos, mas isso não significa que a Groenlândia queira ser sua propriedade. “Mostrámos onde estão os nossos limites”, acrescentou, dizendo que é do interesse de todos “encontrar o caminho certo”.
Do lado norte-americano não houve, na quinta-feira, qualquer reação formal. Aparentemente, Vance e Rubio tinham a função de transmitir o teor do encontro a Trump antes de a Casa Branca reagir. Fê-lo agora, regressando ao tema das tarifas – que os europeus já perceberam que é o ‘chicote’ usado para convencer parceiros renitentes.
Também esta quinta-feira, um grupo de trinta eurodeputados, incluindo a portuguesa Catarina Martins, escreveu uma carta a pedir para o Parlamento Europeu congelar a aprovação do acordo comercial com os Estados Unidos devido às ameaças sobre a Gronelândia. A carta, divulgada nas redes sociais pelo eurodeputado dinamarquês Per Clausen, é dirigida à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e a todos os líderes dos grupos políticos europeus.
Na carta, os eurodeputados referem que o Parlamento Europeu “está prestes a concluir os trabalhos para aprovar (ou rejeitar) o acordo comercial fechado entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, este verão, estando prevista uma votação em plenário em fevereiro. “Caso avancemos e aprovemos este acordo que Trump viu como uma vitória pessoal, numa altura em que faz reivindicações sobre a Gronelândia e se recusa a excluir qualquer forma de as concretizar, isso será facilmente visto como dando-lhe uma recompensa a ele e às suas ações”, afirmam.
Entretanto, uma delegação de congressistas norte-americanos – tanto da Câmara como do Senado – está por estes dias em Copenhaga, capital da Dinamarca, para uma série de encontros com empresários dinamarqueses.
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