Grupo Jerónimo Martins investe em Marrocos para aumentar aquacultura de alto mar

O grupo de Pedro Soares dos Santos comprou 66,68% da Mediterranean Aquafarm em Marrocos, para produzir neste país, em alto mar, robalo, dourada e corvina em novas unidades que têm a vantagem de estarem perto de Portugal, o que facilita a rapidez de abastecimento do mercado nacional, garantindo pescado fresco.

Inácio Rosa / Lusa

A subsidiária Jerónimo Martins – Agro-Alimentar, S.A. (JMA), adquiriu ações representativas de 66,68% do capital social da sociedade de direito marroquino “Mediterranean Aquafarm”, dando “corpo a uma parceria em Marrocos que permitirá à JMA continuar a desenvolver a sua rede de aquacultura para produção, em jaulas colocadas em alto mar, de robalo, dourada e corvina, num país com condições costeiras excecionais que garantem elevada qualidade, e que, pela proximidade a Portugal, assegura também a total frescura do pescado”, informou o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos em comunicado à CMVM.

A aquisição de 66,68% da Mediterranean Aquafarm “é mais um passo na estratégia agroalimentar” do grupo liderado por Pedro Soares dos Santos, que controla a cadeia de lojas Pingo Doce. Esta aquisição foi feita pela subsidiária JMA, que é liderada pelo antigo ministro da Agricultura, António Serrano.

A JMA conta com explorações de aquacultura em Sines, na ilha da Madeira e em Alicante (em Espanha) para produção de dourada e robalo. Em dezembro de 2017, realizou-se a primeira pesca na unidade de Sines, que marcou o início do fornecimento de robalo às lojas do Grupo JM em Portugal. “A produção é realizada em mar (e não em tanques), permitindo que os peixes se desenvolvam no seu habitat natural”, refere a empresa. De igual forma, “o manuseamento é reduzido ao mínimo até à captura, de forma a evitar stress no animal”, adianta.

Parcerias estratégicas

Em 2019, “a JMA estabeleceu um protocolo de cooperação com a Universidade de Évora para o desenvolvimento de atividades de investigação e apoio ao ensino nas três áreas de operação”, refere o grupo de Pedro Soares dos Santos-

No âmbito deste projeto, a “Best Farmer” (através da incorporação de estagiários da Universidade de Évora) irá desenvolver “ensaios e projetos de investigação em áreas como o bem-estar animal, a nutrição ou a eficiência no uso da água e da energia em produção agrícola”, refere o Grupo JM. A “Terra Alegre” irá fomentar a “investigação para o lançamento de produtos lácteos inovadores no mercado”, esclarece, explicando que a “Seaculture” irá ceder a utilização de “espaços, equipamentos e materiais do Laboratório de Ciências do Mar, instalado em Sines, para apoiar a realização de análises patológicas a peixes e o desenvolvimento de investigação sobre a preservação de ambientes naturais e artificiais”, acrescenta o Grupo JM.

O Grupo JM “assumiu o compromisso de comercializar apenas espécies cuja captura ou produção não provoque sobre-exploração das mesmas”, adianta. “É por isso que, a cada três anos, é avaliado o grau de vulnerabilidade das espécies de pescado vendidas em todas as nossas companhias”, refere.

Avaliação do risco das espécies

“Esta análise, realizada em conjunto com as equipas de Ambiente, Comercial, Qualidade e Sustentabilidade, considera “o nível de risco das espécies” de acordo com a base de dados da “Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais” (IUCN Red List of Threatened Species) e “o nível de exploração dos stocks de pescado” com base nas avaliações realizadas pelos respetivos organismos científicos regionais (por exemplo, o International Council for the Exploration of the Sea para o Atlântico Norte), esclarece o Grupo JM.

“Depois da avaliação feita em 2016 – que permitiu definir as primeiras linhas de ação implementadas pelo Grupo JM –, em 2019 foi feita uma revisão para aferir o grau de vulnerabilidade de todas as espécies comercializadas nas diferentes companhias”, adianta, explicando que “com base nessa revisão, as linhas de ação da nossa estratégia de pescado sustentável foram atualizadas e estão bem definidas, designadamente, ao proibir a compra e venda de espécies classificadas como ‘Criticamente em Perigo’, e para as quais não existam licenças extraordinárias que o permitam, não comercializar espécies classificadas como ‘Em Perigo’, sempre que não sejam provenientes de aquacultura e/ou de stocks geridos de forma sustentável e/ou que não apresentem certificado de sustentabilidade e limitar as ações promocionais de espécies classificadas no nível ‘Vulnerável’, sempre que não sejam provenientes de aquacultura e/ou de stocks geridos de forma sustentável e/ou que não apresentem certificado de sustentabilidade”, explica o Grupo Jerónimo Martins.

“Adicionalmente, em 2019, introduzimos novas referências de pescado de ‘Marca Própria’ com certificação de sustentabilidade ‘Marine Stewardship Council’ (MSC), tendo atingindo as 24 referências na Polónia”, reconhecendo que “a pesca sustentável é importante para garantir o equilíbrio dos oceanos” e esclarecendo ainda que “os dados referentes à informação sobre a conformidade com a ‘Política de Pescado Sustentável’ do Grupo JM foram verificados por uma entidade externa e independente”, no âmbito do Relatório e Contas de 2019 deste grupo.

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