Grupo Jerónimo Martins sobe vendas em 3,9% nos primeiros nove meses de 2020, para 14,2 mil milhões de euros

Entre janeiro e setembro deste ano, o grupo liderado por Alexandre Soares dos Santos obteve lucros de 219 milhões de euros.

Cristina Bernardo

As vendas do Grupo Jerónimo Martins cresceram 3,9% nos primeiros nove meses de 2020, para os 14,2 mil milhões de euros.

Entre janeiro e setembro deste ano, o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos obteve lucros de 219 milhões de euros.

Por seu turno, o EBITDA da Jerónimo Martins ascendeu a 1.029 milhões de euros.

Segundo os responsáveis do Grupo Jerónimo Martins, “o desempenho registado nos primeiros nove meses do ano reflecte os efeitos de mais de seis meses a operar num contexto de pandemia, com todos os impactos daí resultantes”.

Desta forma, as vendas consolidadas do grupo retalhista nacional ascenderam aos 14,2 mil milhões de euros, um crescimento de 3,9% face ao ano anterior. O EBITDA cifrou-se nos 1.029 milhões de euros, 1,9% abaixo do registado no mesmo período, em 2019.

“Entre março e setembro, os custos adicionais incorridos com o esforço exigido pela crise sanitária superaram os 32
milhões de euros. Este valor inclui os prémios extraordinários pagos às equipas operacionais, as despesas com equipamentos e materiais de protecção individuais e colectivos e o financiamento de múltiplas iniciativas de apoio social nos três países. A ajuda directa às comunidades e o contributo para os esforços científicos para travar a pandemia e gerir os seus efeitos estão, também, incorporados neste valor”, esclarece o referido comunicado.

A administração da Jerónimo Martins assinala que, no período em análise, o investimento totalizou 258 milhões de euros, com cerca de metade do total a ser alocado à Biedronka, na Polónia.

O resultado líquido do grupo nacional de distribuição fixou-se nos 219 milhões de euros no período em análise (EPS – [ganho por ação] de 0,35 euros por ação).

“Estes nove meses de 2020 ficam marcados por mais de seis meses sob os efeitos da pandemia por Covid-19. Neste período, o trabalho determinado das nossas equipas e a flexibilidade das nossas operações permitiram-nos sermos ágeis e criativos na adaptação necessária das propostas de valor das nossas insígnias em condições de mercado especialmente complexas. Reforçámos, assim, a sua pertinência e assertividade para o consumidor”, assumem os respinsáveis da Jerónomio Martins.

De acordo com a administração deste grupo, “ao longo destes meses, a força do nosso balanço tornou possível que não perdêssemos, na urgência do curto prazo, a perspectiva do longo prazo e que nos mantivéssemos firmes nas prioridades estratégicas definidas”.

“Apesar da dureza dos tempos que vivemos, acredito que estamos hoje mais bem preparados do que há seis meses para lidar com as exigências da realidade de cada mercado e para continuar a crescer de forma sustentável. Estou consciente de que a incerteza permanece muito elevada e que o Natal, época tradicionalmente mais forte para o negócio alimentar, poderá estar este ano condicionado pelas restrições à mobilidade e pela falta de confiança e capacidade de compra de um consumidor cada vez mais sensível ao preço, derivado do momento único que se vive a nível mundial”, confessa Pedro Soares dos Santos, em comunicado enviado à CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Segundo o CEO da Jerónimo Martins, “no início da pandemia, face à então muito reduzida visibilidade sobre o impacto potencial da crise na actividade do ano, o ‘payout’ dos resultados de 2019 foi reduzido, dos 50% inicialmente propostos, para 30%”.

“Nesta fase, as nossas companhias deram provas da sua resiliência e determinação. Assim, atendendo à força do desempenho do grupo em tempos de adversidade, à luz da posição de caixa que temos no final de Setembro e do nível de flexibilidade financeira que consideramos necessária no futuro, o conselho de administração decidiu propor em assembleia geral extraordinária, a distribuição do montante remanescente para o ‘payout’ de 50%, em linha com a política de dividendos do grupo”, revela Pedro Soares dos Santos.

A administração da Jerónimo Martins realaça que se registou, “no conjunto de todas as companhias, um acréscimo, nos nove meses, de 32 milhões de euros ao nível dos custos operacionais relativos”, relativos a prémios extraordinários pagos às equipas operacionais; despesas com equipamentos e materiais de protecção individuais e colectivos; e financiamento de múltiplas iniciativas de apoio social nos três países.

“Este apoio inclui ajuda direta às comunidades e contribuição para os esforços científicos para travar a pandemia e gerir os seus efeitos. A estes custos acresceram, a nível das ‘Outras Perdas e Ganhos’, três milhões de euros que
concernem ao reforço de provisões para valores a receber cujo risco de não realização aumentou
substancialmente devido à pandemia”, adianta o comunicado em questão.

De acordo com esse documento, “todas as companhias do grupo iniciaram uma rigorosa revisão de processos que permitiu mitigar o impacto deste aumento de custos nas respectivas rentabilidades”, acrescentando que, “em cada país, foram adoptadas as medidas consideradas necessárias pelos respectivos governos e autoridades sanitárias, tendo as nossas insígnias preparado respostas específicas de acordo com as diversas realidades”.

O comunicado da Jerónimo Martins refere que, na Polónia, as medidas de restrição à circulação de pessoas foram sendo progressivamente levantadas ao longo do segundo trimestre e, desde junho até ao final de setembro, não se aplicaram medidas específicas para o sector do retalho alimentar.

“Continuou a registar-se, no entanto, uma menor circulação de pessoas num contexto em que muitas empresas favorecem o teletrabalho e em que há uma menor intensidade de actividades sociais. A Biedronka manteve, no terceiro trimestre, a flexibilidade de horários a que tinha recorrido no segundo trimestre, agora ajustada à localização das lojas e ao tráfego esperado. A dinâmica comercial e a organização do fluxo das operações foram também ajustadas ao facto de haver uma menor frequência de visitas”, garante a administração da Jerónimo Martins.

Por seu turno, a Hebe, “que foi muito impactada no segundo trimestre pelo encerramento dos centros comerciais,
registou ao longo do terceiro trimestre uma melhoria do desempenho operacional resultante em grande parte do levantamento das restrições à circulação, embora o potencial para crescer se encontre ainda limitado pelos novos hábitos de frequência dos consumidores no actual contexto pandémico”.

Já em Portugal, o grupo nacional de distribuição relemebra que se manteve no terceiro trimestre a restrição, no retalho, de um máximo de cinco pessoas por 100 metros quadrados.

“À baixa circulação de pessoas juntou-se a queda acentuada do fluxo de turistas, com impacto na actividade do comércio em geral, e dos restaurantes e hotelaria, em particular. Como medida de carácter complementar, a meio de setembro foi implementada a proibição de vender bebidas alcoólicas a partir das 20 horas”, acentua a Jerónimo Martins.

“O Pingo Doce, cujas lojas têm um histórico de densidade de vendas particularmente alto, registou a pressão do menor número de visitas, bem como o impacto da crise sanitária na actividade dos seus restaurantes, ‘take-away’ e cafés. O Recheio continuou a sofrer com a queda significativa de actividade do canal HoReCa [Hotelaria, Restauração, Cafetaria]”, resume o grupo liderado por Pedro Saores dos Santos.

Entretanto, na Colômbia, “as medidas de confinamento mantiveram-se muito restritivas até ao final de agosto”.

“Em conjunto com as fortes limitações à circulação de pessoas, continuaram também as regras de recolher obrigatório e o encerramento compulsório da actividade comercial em certos dias da semana, o que, no terceiro trimestre, representou para a Ara uma redução de cerca de 16% das horas de funcionamento das lojas”, avança o mesmo comunicado.

No que se refere ao plano de investimentos, “e beneficiando de uma gestão menos restritiva da crise sanitária na Polónia, a Biedronka foi a Companhia que mais rapidamente retomou o plano original, tentando imprimigr um ritmo de execução compatível com a recuperação dos atrasos na expansão”.

“Se as condições no setor da construção não se alterarem, esperamos que, no ano, a Biedronka acrescente à sua rede de lojas mais cerca de cem localizações”, enquanto a rede Pingo Doce espera abrir cerca de 13 lojas e a Ara cerca de 50.

“O valor estimado de ‘capex’ [investimento] para o grupo, em 2020, deverá situar-se em cerca de 450 milhões de euros”, conclui o comunicado do Grupo Jerónimo Martins.

Atualizado às 19h05m

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