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Grupo Sonae: lucros disparam 38% até setembro e chegam aos 200 milhões

O aumento dos lucros no final dos nove primeiros meses foi em parte suportado por um terceiro trimestre igualmente positivo: entre julho e setembro, os lucros chegaram aos 98 milhões de euros, mais 34 que no homólogo de 2024.
Cláudia Azevedo
12 Novembro 2025, 17h35

O resultado líquido (atribuível a acionistas) do grupo Sonae aumentou 38% para 200 milhões de euros (M€) nos primeiros nove meses do ano (9M25), “refletindo a melhoria do desempenho operacional dos negócios e a sólida estrutura financeira”, refere o grupo em comunicado enviado ao regulador do mercado mobiliário. No 3T25 atingiu 98M€, um aumento de 34% face ao ano anterior, “suportado pela melhoria do desempenho operacional e pela redução dos custos financeiros, sustentada pela diminuição da dívida líquida e por um menor custo médio da dívida”.

Os principais destaques dos resultados dos primeiros nove meses de 2025 indicam que o volume de negócios consolidado cresceu 17%, para 8,2 mil milhões de euros, “com expansão orgânica, reforço de posições de liderança, exploração de sinergias e gestão ativa do portefólio”. O EBITDA aumentou 22%, para 861 M€, “refletindo o desempenho dos negócios consolidados, com destaque para a MC”. O investimento consolidado totalizou 601M€ nos últimos 12 meses, reforçando as avenidas de crescimento. A dívida líquida consolidada diminuiu 45M€ e custos de financiamento baixaram no 3º trimestre (3T25).

Para Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, citada pelo comunicado, “este trimestre volta a demonstrar a capacidade da Sonae para crescer com disciplina e propósito, enquanto grupo diversificado de empresas líderes. Após integrarmos, de forma bem-sucedida, novos negócios e consolidarmos parcerias, começamos agora a beneficiar de um portefólio mais forte e coeso”.

O comunicado indica ainda que a Sonae avançou mais no seu processo de desalavancagem no trimestre, com a dívida líquida consolidada a diminuir para 1,8 mil milhões de euros, impulsionada por uma forte geração de cash flow. O rácio loan-to-value também melhorou, beneficiando tanto da redução da dívida como do aumento do NAV, que atingiu um valor recorde de 5 mil milhões de euros. O NAV por ação aumentou 9% em termos homólogos, evidenciando a força dos nossos negócios e a criação sustentada de valor em todo o portefólio.

Como parte da gestão ativa de portefólio, o grupo concluiu a venda das insígnias de moda MO e Zippy no início do trimestre. O lançamento do Worten Life, um novo programa de fidelização ligado ao ecossistema do Cartão Continente; o relançamento do Universo, com benefícios alargados nas insígnias da Sonae; e o lançamento da marca própria de alimentação para animais da Musti nas lojas Continente, são outros destaques do período em referência.

A Sonae “continuou a desenvolver as suas avenidas de crescimento, investindo no desenvolvimento dos seus negócios, no reforço da diversificação do portefólio e na criação de valor social. O investimento consolidado atingiu 601M€ nos últimos 12 meses, com destaque para a aposta na expansão orgânica dos negócios, nomeadamente no retalho nos diversos mercados em que a Sonae está presente, bem como em movimentos importantes do portefólio internacional”.

No retalho alimentar, saúde, bem-estar e beleza, a MC apresentou um forte crescimento do volume de negócios no 3T25, com um aumento de 19,2% para 6,4 mil milhões de euros no 9M25 e de 10,4% no 3T25, para mais de 2,3 mil milhões de euros. A MC continuou a avançar na expansão da sua rede, com a abertura de 5 lojas alimentares no 3T25 (9 desde o início do ano) e 16 lojas na área de saúde, bem-estar e beleza (28 desde o início do ano). De destacar a entrada da Druni em Portugal, com a abertura da sua primeira loja no centro do Porto durante o trimestre.

O segmento alimentar da MC registou um forte crescimento no 3T25, com o Continente a manter os seus ganhos de quota de mercado e a reforçar a sua posição como líder do retalho alimentar em Portugal. As vendas LfL cresceram 9% no 3T25, refletindo sobretudo um sólido crescimento de volumes, o que impulsionou as vendas em 10% face ao período homólogo, para 1,9 mil milhões de euros.

Na área de saúde, bem-estar e beleza, o volume de negócios aumentou 12,3%, para 436M€ no 3T25, impulsionado por um sólido aumento de 6,9% do LfL, suportado pelo bom desempenho da Druni (consolidada desde o 3T24) e da Wells, que reforçaram as suas posições de mercado na Península Ibérica, apesar do contexto competitivo exigente.

No retalho de eletrónica, marketplace e serviços, a Worten registou um volume de negócios de 1.012M€ nos 9M25, crescendo 7,5% em termos homólogos. Num contexto de mercado desafiante, marcado por uma forte atividade promocional, a Worten registou um crescimento sólido do volume de negócios de 7,9% em termos homólogos no 3T25, suportado por um forte crescimento de 6,9% do LfL. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento de volumes nas categorias core (eletrónica e eletrodomésticos), enquanto os serviços e as novas categorias de produto mantiveram uma dinâmica positiva. O canal online apresentou um desempenho excecional, com as vendas a aumentarem 26% em termos homólogos no 3T25, representando agora 19% do volume de negócios total.

Em termos estratégicos, a Worten lançou recentemente o “Worten Life”, um novo programa de fidelização que integra a marca no ecossistema do Cartão Continente, o programa de fidelização do segmento alimentar da Sonae. Esta iniciativa permite aos clientes acumular ou utilizar saldo do Cartão Continente nas suas compras na Worten, reforçando as sinergias entre insígnias e melhorando a experiência global do cliente.

A iServices, insígnia internacional do Grupo especializada na reparação de telemóveis, continuou a impulsionar a expansão da rede de retalho e a presença internacional, com a abertura da sua primeira loja na Holanda, em Amesterdão. Desde o início do ano, a iServices abriu 21 novas lojas, terminando o trimestre com 114 localizações distribuídas por Portugal (69), Bélgica (23), França (14), Ilhas Canárias (7) e Holanda (1).

No retalho de produtos e cuidados para animais de estimação, a Musti reportou ganhos de quota de mercado e uma melhoria contínua da margem bruta, reforçando ainda mais a sua posição de liderança num mercado de pet care em recuperação. As vendas aumentaram 14,2% em termos homólogos, para 127M€ no 3T25 e 369M€ nos 9M25, suportadas pela consolidação da Pet City e pelo sólido crescimento das operações nos países nórdicos. As vendas online cresceram 4,5% no 3T25, atingindo 28,5M€, o que representa 22,4% do total das vendas.

No setor imobiliário, a Sierra registou mais um trimestre positivo, impulsionado por: (i) uma dinâmica sustentada no seu portefólio de centros comerciais na Europa; (ii) um desempenho excecional das suas áreas de serviços, alcançando marcos estratégicos que lançam as bases para o crescimento futuro; e (iii) um avanço contínuo dos seus projetos de promoção imobiliária.

No 3T25, o portefólio de centros comerciais na Europa apresentou um desempenho muito sólido, com as vendas dos lojistas a crescerem 6,1% em termos LfL e as taxas de ocupação próximas de 100%. Durante o trimestre, a Sierra continuou a posicionar os seus centros comerciais como destinos de referência, avançando com expansões e remodelações estratégicas e uma gestão ativa do seu portefólio.

Na área de serviços, a Sierra tornou-se o segundo maior gestor de centros comerciais na Alemanha, após a aquisição da divisão de Real Estate Management da Unibail-Rodamco-Westfield (URW REM), em outubro. Esta transação representa um passo estratégico fundamental na expansão dos serviços a terceiros no país, reforçando a liderança da Sierra no setor dos centros comerciais e apoiando a sua estratégia de crescimento internacional.

A atividade de promoção imobiliária manteve-se sólida, com progressos contínuos na execução e comercialização dos projetos em carteira. A Sierra manteve o seu foco estratégico no setor residencial, avançando com seis projetos em Portugal e Espanha, abrangendo tanto modelos de build-to-sell como de build-to-rent.

No 3T25, o resultado líquido da Sierra aumentou para 21M€ (+4,7% em termos homólogos), impulsionado pelo bom desempenho operacional tanto no portefólio de centros comerciais como na área de serviços. O NAV atingiu 1,2 mil milhões de euros no final de setembro, representando um aumento de 7% em termos homólogos.

Nas telecomunicações, a NOS apresentou um crescimento da rentabilidade, suportado por uma execução disciplinada e um foco contínuo na excelência operacional, apesar do contexto desafiante do mercado português de telecomunicações. As receitas consolidadas atingiram 457M€ no 3T25 e o EBITDA consolidado aumentou 2,7%, para 223M€, impulsionado pelo forte desempenho das áreas de Telecomunicações e Tecnologias de Informação. Nas contas consolidadas da Sonae, os resultados de equivalência patrimonial da NOS atingiram 23,4M€ no 3T25, um aumento de 32% em termos homólogos, refletindo o sólido desempenho operacional da empresa.


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