PremiumGuerra comercial é a maior ameaça à economia global

Governo estimou o impacto de uma procura externa abaixo do esperado, aumento do preço do petróleo e subida das taxas de juro de curto prazo.

Os principais riscos que o Governo antecipa para o cumprimento das metas para o crescimento económico, bem como para a diminuição do défice e da dívida, são externos. As tensões comerciais entre a China e os EUA são o maior, podendo levar à adoção de políticas protecionistas generalizadas que afetem a economia e o comércio globais.

No contexto internacional, destacou ainda as pressões sobre o preço do petróleo causadas pela persistência das tensões no Médio Oriente ou pela deterioração da situação económica e social da Venezuela, o agravamento de crises nos mercados emergentes, a incerteza em relação ao Brexit e as tensões políticas na Europa.

“Os fatores internacionais atrás descritos podem contribuir para uma desaceleração da economia da área do euro mais acentuada do que o previsto e, dessa forma, refletir-se na dinâmica da economia portuguesa”, alerta o Governo.

Dados os riscos externos que assinala para a economia global, o ministério das Finanças simulou o impacto que três choques exógenos poderiam ter, em 2019, nos principais agregados macroeconómicos, que se consubstanciam, face ao cenário central: PIB a crescer 2,2%, défice de 0,2% e dívida de 118,5%.

Procura externa abaixo do esperado:

“Estima-se que um crescimento da procura externa inferior em dois pontos percentuais ao implícito no cenário macroeconómico [4,2%] teria um impacto negativo de 0,3 pontos percentuais no crescimento real do PIB, por via de um menor crescimento das exportações”, revelam as Finanças.

O efeito sobre a balança comercial seria igualmente negativo e, consequentemente, sobre a capacidade de financiamento da economia. Por outro lado, o impacto sobre as variáveis orçamentais seria negligenciável, destacando-se a ligeira subida do rácio de dívida pública, por via do menor crescimento nominal do PIB.

Preço do petróleo mais alto

O cenário base do Governo é que o preço do brent se situe nos 72,2 dólares por barril, em 2018. No entanto, “um aumento do preço do petróleo, em 2019, 20% acima do assumido no cenário central, teria igualmente um impacto negativo no desempenho da economia”.

A estimativa indica que o crescimento real do PIB seria inferior ao do cenário central em 0,1 pontos percentuais, situando-se em 2,1%. Os principais canais de transmissão deste efeito sobre o PIB real ocorrem através da diminuição do consumo privado, em parte mitigada por uma diminuição das importações. Todavia, em termos do crescimento nominal do PIB, o impacto seria mais acentuado por via do efeito do aumento do preço do petróleo nos deflatores das componentes da procura global, em especial do consumo privado e das importações (que por sua vez exerceria um efeito de spillover sobre as demais componentes).

“Neste cenário, a capacidade de financiamento da economia deteriorar-se-ia por via de um agravamento da balança energética. Já o impacto sobre as variáveis orçamentais seria marginal, destacando-se o aumento no rácio de dívida pública, por via do menor crescimento nominal do PIB”, acrescentam as Finanças.

Aumento da taxa de juro de curto prazo

O ministério liderado por Mário Centeno calculou ainda o impacto de uma subida da taxa de juro de curto prazo em dois pontos percentuais, que, diz, “teria um impacto negativo no crescimento real da economia por via de um menor crescimento do consumo privado e do investimento (em resultado de um aumento dos custos de financiamento)”.

Consequentemente, as condições no mercado de trabalho seriam menos favoráveis com um crescimento menos robusto do emprego e inerente aumento da taxa de desemprego. A capacidade de financiamento da economia deteriorar-se-ia, refletindo um agravamento da balança de rendimentos primários.

O saldo orçamental seria ainda afetado negativamente através de uma redução das receitas de IVA e de IRS, um aumento das despesas com juros (por via de um expetável aumento da taxa de juro nas novas emissões de dívida), um aumento das prestações sociais associadas à maior taxa de desemprego e de um menor crescimento nominal do PIB.

Por último, aponta ainda que “o rácio da dívida pública aumentaria por via de uma maior necessidade de financiamento das Administrações Públicas, e de um menor crescimento do PIB nominal”.

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