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Guiné-Bissau: Guineenses pedem intervenção “imediata e decisiva” da CPLP

“Exigimos uma intervenção imediata e decisiva da CPLP nos seguintes pontos: conclusão do processo eleitoral em curso, libertação incondicional e imediata dos líderes políticos detidos, reposição integral da ordem constitucional e criação de condições para o empossamento do novo Presidente legítimo”, defenderam os manifestantes numa carta entregue na porta da sede da CPLP.
27 Novembro 2025, 17h40

Cerca de uma centena de guineenses estão reunidos em frente à sede da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) a exigir a intervenção da organização na reposição da ordem constitucional no país, após o golpe de Estado.

“Exigimos uma intervenção imediata e decisiva da CPLP nos seguintes pontos: conclusão do processo eleitoral em curso, libertação incondicional e imediata dos líderes políticos detidos, reposição integral da ordem constitucional e criação de condições para o empossamento do novo Presidente legítimo”, defenderam os manifestantes numa carta entregue na porta da sede da CPLP.

A manifestação desta tarde foi convocada na sequência do golpe de Estado na Guiné-Bissau na terça-feira e tem sido marcada por críticas ao que classificaram de inação da CPLP, mas também de Portugal, da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e da própria União Africana.

“Se eles [os militares] continuarem a perseguir com esta ilegalidade, pedimos, exortamos a CPLP, a União Europeia, a CEDEAO, as Nações Unidas, a União Africana e toda a comunidade internacional a assumirem as suas responsabilidades, o que passa, necessariamente, pela imposição de medidas e sanções contra todos os envolvidos”, defende-se na carta, lida em voz alta, perante os aplausos dos manifestantes.

O general Horta Inta-A foi empossado Presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineense, um dia depois de os militares terem tomado o poder no país, antecipando-se à divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

Os militares anunciaram a destituição do Presidente, Umaro Sissoco Embaló, e suspenderam o processo eleitoral e os órgãos de comunicação social, indicando ainda que o período de transição no país durará no máximo um ano.

O comando militar garantiu hoje que o ex-Presidente se encontra bem, mas sob custódia, e anunciou o fim do recolher obrigatório a partir desta sexta-feira, tendo sido anunciada já a reabertura do espaço aéreo.

As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a presença do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.

Simões Pereira foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.


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