Há 60 empresas na corrida ao lítio em Portugal

O nosso país tem uma das maiores reservas de lítio a nível mundial. Em dois anos, o número de pedidos de prospeção e pesquisa por parte de empresas duplicou. O concurso será lançado a “breve trecho”, diz o Ministério do Ambiente.

Braulio Lopez (R) and Ramon Calpanchay of Galaxy Resources lithium mining division shovel halite concentrate at the Salar del Hombre Muerto, or Dead Man’s salt flat, an important source of lithium at around 4,000 meters (13,123 feet) above sea level on the border of the northern Argentine provinces of Catamarca and Salta, October 28, 2012. REUTERS/Enrique Marcarian (ARGENTINA)

Será este elemento metálico o “petróleo” do futuro em Portugal? Com uma das maiores reservas mundiais, a atração dos players globais é cada vez maior. Em 2017, as propostas de investimento representavam 3,8 milhões de euros, numa área total de 2.500 quilómetros quadrados. Os pedidos de prospeção e pesquisa continuam a aumentar. O relatório do grupo de trabalho “lítio” identificou há dois anos a existência de 30 pedidos e, entretanto, “foram rececionados mais 30 pedidos de prospeção e pesquisa de lítio mas fora das áreas constantes da RCM (Resolução do Conselho de Ministros) nº 11/2018”, diz ao Jornal Económico fonte oficial do ministério do Ambiente e da Transição Energética.

Sobre o facto de os novos concursos para minas de lítio terem vindo a ser sucessivamente adiados, o ministério de João Pedro Matos Fernandes responde: “Encontra-se em tramitação o processo de concretização das peças do procedimento concursal para atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de lítio, no sentido de ser lançado o concurso a breve trecho. Houve necessidade de expurgar dos polígonos das áreas a concurso todas as zonas protegidas ou com direitos já constituídos na prossecução do princípio da sustentabilidade ambiental e territorial”.

Os planos do Governo para a exploração de lítio em Portugal decorrem da RCM nº 11/2018. “No que respeita ao concurso acima referido estamos perante a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa, fase prévia à exploração onde se pretende projetos que abarquem toda a cadeia de valor incluindo a fase industrial, com sustentabilidade ambiental e territorial e que prevejam repartição dos royalties entre o Estado e as autarquias”, adianta a mesma fonte oficial.

No rectângulo nacional, segundo o relatório do grupo de trabalho, são descritas nove regiões com ocorrência de mineralizações de lítio em Portugal. Distribuem-se desde Caminha, no Alto Minho, até Idanha-a-Nova, na Beira Baixa: Serra de Arga, Barroso-Alvão, Seixoso-Vieiros, Almendra, Barca de Alva-Escalhão, Massueime, Guarda (incluindo Seixo Amarelo – Gonçalo, Gouveia, Sabugal, Bendada e Mangualde), Argemela e Segura.

“As áreas a concurso estão nesta fase a ser definidas nas peças do procedimento concursal, estando previstas as zonas identificadas na RCM nº 11/2018 em nove blocos”, esclarece fonte do ministério do Ambiente e da Transição Energética.

O relatório do grupo de trabalho “lítio” identificou há dois anos um conjunto de áreas potenciais bem como de um conjunto de operadores, que atualmente se mantêm, designadamente a empresa Slipstream Resources Investments pty ltd. (detida pela Savanah Resources), que detém a concessão de exploração “Mina do Barroso” (Boticas); a empresa Lusorecursos, Lda., que tem em tramitação um pedido de concessão de exploração “Romano” (Montalegre); e a empresa PANNN, Lda., que tem em tramitação um pedido de exploração experimental “Argemela” (Covilhã e Fundão).

De acordo com as estatísticas do United States Geological Survey (USGS), em 2014, Portugal era a sexta maior fonte de lítio do mundo, com cerca de 17,5 mil toneladas métricas extraídas (com um teor de 1,5% de lítio), e para 2016 as reservas estavam estimadas em 60 mil toneladas métricas.

As aplicações deste elemento metálico são essenciais pela sua utilização nas baterias dos veículos elétricos, mas também na sua aplicação em várias indústrias, incluindo a cerâmica e o vidro, os lubrificantes industriais, aplicações médicas, baterias de iões-Li, siderurgia de alumínio, entre muitas outras.

Ler mais
Recomendadas

Governo aponta tecnologias como elemento chave para aumento da produtividade e adaptação às alterações climáticas

Durante a conferência “Ação Climática –Desafios Estratégicos”, que decorreu esta segunda-feira, na Alfândega do Porto, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, afirmou que o Governo definiu “metas ambiciosas a este propósito” mas que são necessárias para corresponder às exigências climáticas e ambientais da atualidade.
António Costa Assina OE2020

António Costa entre os 64 signatários da nova iniciativa mundial pelo clima

Os líderes descrevem a promessa como um “ponto de viragem” no combate às alterações climáticas. Todos os signatários da iniciativa comprometeram-se em colocar a vida selvagem e o clima no centro dos seus planos de recuperação económica pós-pandemia.

Ação climática reúne seis ministros e 16 especialistas no Porto

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, preside à conferência e à primeira mesa redonda sobre a ação climática na recuperação económica, onde vão participar ainda António Costa Silva, Sofia Santos, Francisco Ferreira e Teresa Sá Marques.
Comentários