Há uma crise de batatas na Europa e já chegou a Portugal. Culpa é das mudanças climáticas

O verão seco fez cair a pique a produção destes tubérculos. Portugal também não escapou à crise.

Cerca de 53 milhões de toneladas de batatas são colhidas na União Europeia todos os anos. A Alemanha, o maior produtor europeu, consome geralmente entre 10 a 12 milhões de toneladas de batatas. No entanto, no dia 26 de setembro, o Ministério da Agricultura alemão anunciou em queda da colheita em 25%.

A mudança climática está na raiz do problema. “Os agricultores repararam que os períodos húmidos e secos são mais frequentes”, disse Katja Börgermann, da Associação Alemã de Agricultores à revista “Economist”. Ou seja, é difícil aos agricultores adaptarem-se suficientemente rápido a estas mudanças. “Podem desenvolver melhores sistemas de irrigação e novas variedades de culturas poderiam ser criadas para resistir à seca. Mas essas coisas levam tempo”, acrescentou Katja Börgermann. A escassez de produção verificou-se também em países como a Holanda, a Espanha ou a Bélgica.

Por exemplo, em 1976, a produção de batatas caiu cerca de 40% com o aumento das temperaturas – o Reino Unido registou um preço seis vezes superior ao valor normal. Em Portugal, a produção cifrou-se em 550 mil toneladas. “Nós produzimos 60% do que consumimos”, diz António Gomes, presidente da Porbatata, associação que agrupa produtores, organizações de produtores, grossistas e industriais.

A falta deste alimento no mercado fez subir os preços na Europa. E Portugal não foi excepção. Este ano, o preço a ser pago à produção foi de 25 cêntimos por quilo. Ou seja, 250 euros por tonelada se for comprado diretamente ao produtor. O ano passado, o valor estava fixado em cinco cêntimos. “Houve excesso de oferta”, acrescenta António Gomes. Este ano, a quebra na produção, segundo o presidente da Porbatata, foi entre 15 a 20%.

O comércio de batatas entre países da União Europeia já é comum. No entanto, apenas uma pequena proporção é proveniente fora da UE. Alguns especialistas defendem um mercado mais aberto para responder a estas crises.

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