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Havi Portugal vai investir 18 milhões de euros para reforço na região Norte

A Havi Portugal que reforçar o papel da filial portuguesa no grupo, conferindo-lhe um papel destaque a nível tecnológico. Plano de investimento para o país é de 200 milhões de euros e reforço na região Norte já está calculado: 18 milhões de euros.
29 Dezembro 2025, 07h00

A Havi Portugal, empresa que se especializou na gestão e otimização de cadeias de abastecimento para grandes marcas como a McDonald’s e Portugália, vai continuar a investir em Portugal em 2026.

Com um plano de investimento de 200 milhões de euros para Portugal, que pretende reforçar o país como um polo estratégico e tecnológico dentro do grupo, Luís Ferreira, managing director, detalha ao JE os planos para reforçar na região Norte, com um investimento de 18 milhões de euros nos próximos anos. 

2025 foi um ano desafiante para as cadeias de abastecimento: quais os principais desafios com que tiveram de lidar?

De forma geral, um dos principais desafios tem sido, sem dúvida, a escassez de recursos humanos. A escassez de motoristas tem sido desafiante, em particular na área de transportes, mas noutras divisões do nosso negócio também existe alguma dificuldade em encontrar técnicos especializados em áreas específicas – um exemplo disso é na automação e robótica. Isto reflete um problema estrutural de mão de obra no nosso setor, o que depois dificulta a resposta às exigências operacionais e tecnológicas. A este contexto junta-se a inflação e instabilidade dos preços, com o custo das matérias-primas e da energia a subir, bem como a volatilidade dos preços dos combustíveis, o que pressionou significativamente a estrutura de custos das operações e transportes. Outro dos desafios prende-se com as exigências ambientais e regulamentares, que obrigam as empresas a adaptações contínuas. Não nos podemos esquecer que, num contexto marcado por mudanças climáticas, riscos de ciberataques e instabilidade geopolítica, é primordial a atualização permanente de planos de contingência que assegurem a continuidade do abastecimento. Em suma, o equilíbrio de todos estes fatores sem comprometer o controlo de custos, a competitividade e o nível de serviço, têm sido um enorme desafio – mas acreditamos estar a conseguir enfrentá-lo com sucesso.

Quais são os maiores desafios associados ao setor no que diz respeito a Portugal?

Como dizia, e se aplica totalmente a Portugal, sente-se atualmente uma grande escassez de recursos humanos especializados, sobretudo em áreas mais técnicas, o que acaba por limitar o crescimento das operações. Há também um fator que pesa de forma muito direta na competitividade das empresas do setor, que são os elevados custos do combustível. A isto acresce o aumento da regulamentação e as restrições das entregas last mile, que muitas vezes são implementadas sem uma visão integrada do enquadramento global das cadeias de abastecimento e das suas realidades operacionais. Na temática da sustentabilidade, deparamo-nos com o facto de que a legislação atual ainda não penaliza de forma efetiva quem não adota soluções mais sustentáveis, criando um desequilíbrio competitivo face às empresas – como nós – que estão a investir de forma consistente nesta área. Por último, podemos ainda destacar as dificuldades associadas aos processos de licenciamento de novos investimentos, nomeadamente os longos tempos de resposta, que acabam por funcionar como entraves ao investimento e à expansão da atividade.

A eletrificação representa um papel importante para a Havi Portugal: o que esperar neste capítulo para 2026?

Sim – a eletrificação vai continuar a ter um papel muito relevante para nós na Havi Portugal, em linha com a estratégia de descarbonização do Grupo. É um caminho que estamos a fazer de forma consistente e sustentada. A nível das infraestruturas, a aposta passa claramente pela energia solar – no projeto de expansão mais recente do nosso Centro de Distribuição (DC) em Azambuja, prevemos aumentar significativamente a potência instalada de painéis solares, reforçando a nossa autonomia energética. Em paralelo, temos vindo a investir na adoção de sistemas mais eficientes, nomeadamente nos equipamentos da instalação de frio. No que diz respeito concretamente à frota, vamos continuar a apostar na estratégia de eletrificação e descarbonização, como anunciámos ainda este mês: depois da introdução dos power banks da Addvolt nos nossos camiões, avançámos recentemente com a tecnologia Vector eCool™, que permite eliminar os motores de combustão associados aos equipamentos de frio. Futuras aquisições passarão já a integrar esta tecnologia, reforçando o nosso compromisso com soluções mais eficientes e ambientalmente responsáveis.

O que têm previsto de investimento para Portugal?

Na Havi mantemos uma aposta clara e contínua no investimento em Portugal. Este ano, avançámos com um investimento de cerca de 11 milhões de euros na expansão do Centro de Distribuição de Azambuja, cuja abertura está prevista para o início do próximo ano. No que diz respeito ao Porto, onde já contamos com um Centro de Distribuição, em Canelas, está previsto um investimento de cerca de 18 milhões de euros nos próximos anos, que permitirá reforçar de forma sustentada a presença e a capacidade operacional da Havi na região Norte. Importa ainda destacar o TechHUB, o centro de inovação tecnológica do Grupo, que abriu recentemente em Portugal, para além de outras localizações estratégicas em Chicago (a nossa sede global) e Cracóvia, com Kuala Lumpur como uma próxima quarta localização. Com um plano de investimento de 200 milhões de euros, este projeto reforça o papel do país como um polo estratégico na área tecnológica dentro do grupo Havi.

Os recursos humanos são um fator-chave: está prevista a contratação de mais funcionários para o novo ano?

Para o início de 2026, está já prevista a contratação de 11 novos colaboradores, dos quais três para funções administrativas e oito para áreas operacionais, acompanhando a evolução da atividade e os investimentos que temos em curso. Este reforço inicial responde a necessidades imediatas, mas insere-se numa visão mais ampla de crescimento, cujos números ainda não podemos precisar – contudo, o foco está sempre em crescer em Portugal, coisa que temos conseguido fazer de ano para ano. A médio e longo prazo, prevemos continuar a reforçar as equipas, à medida que os projetos se desenvolvem e a atividade cresce, sempre com o foco em integrar pessoas com as competências adequadas e alinhadas com a cultura e os valores da empresa.


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