Holanda: Mark Rutte insiste em repetir a coligação anterior

Partidos de esquerda não descartam a possibilidade de virem a ser convidados para um executivo de largo espectro político. O futuro governo terá em mãos um problema delicado: o custo da monarquia – cujo orçamento para 2021 é de 47,5 milhões de euros.

Mark Rutte

A possibilidade de a Holanda manter tudo na mesma – Mark Rutte como primeiro-ministro à frente de uma coligação entre a sua formação, o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), os democratas-cristãos do CDA, os progressistas liberais do D66 e a União Cristã – parece ser o caminho mais certo, depois das eleições do passado dia 17 de março.

Mark Rutte já sinalizou essa vontade mas o incontestável próximo primeiro-ministro tem tido algumas ‘ofertas’ – no sentido de explorar a hipótese de aumentar a representatividade do executivo, deixando-o mais amplamente representado.

A líder do PvdD, o Partido dos Animais, a quinta força mais votada, Esther Ouwehand, foi a primeira a aparecer afirmando que gostaria de ter um lugar no próximo gabinete, acrescentando uma visão “verde e progressista, que respeita o Estado de Direito”, à futura coligação. “Se o VVD se mexer um pouco e todos concordarmos que implementaremos aquilo em que concordamos internacionalmente sobre o acordo climático e o problema do nitrogénio, então podemos participar” na coligação, disse.

A ânsia de participação no governo é particularmente forte na Esquerda Verde e nos trabalhistas do PvdA – cujos resultados foram dececionantes. Ambos disseram com antecedência que não entrariam num gabinete sem outro partido de esquerda, mas essa intenção parecia dispensar Jesse Klaver (dos Verdes): o discurso de unidade à esquerda parece ter desaparecido na noite das eleições.

Para todos os efeitos, um dos problemas com que o novo governo terá que lidar é com uma surpreendente investigação à família real holandesa. O governo anterior concordou em rever o custo anual da monarquia, liderada pela Casa de Orange-Nassau, após pressão dos partidos da oposição. Mas Rutte manteve-se sempre desconfortável com, o assunto, tendo expressado pouco interesse em revelar a quantia exata que o rei Willem-Alexander e a sua família, recebem dos contribuintes holandeses. Segundo os jornais do país, Rutte tem receio que mexer demasiado no assunto levante a possibilidade de alguém se recordar de referendar o regime.

“Temos de ter cuidado com uma discussão que rapidamente se tornará populista. Nunca concordaremos com a quantia”, disse Mark Rutte no final do ano passado, quando a questão se levantou. Oficialmente, o orçamento real para 2021 será de 47,5 milhões de euros, mas esta quantia não inclui o custo das visitas de Estado ou a manutenção do palácio.

O rei recebe cerca de um milhão de euros por ano – mais 5,1 milhões em ajudas de custo e de pessoal – enquanto a sua mulher, a rainha Máxima, recebe 1,1 milhões. O salário do rei é isento de impostos e compreende um aumento de 5%, que compara com a média do país, que não vai além de 0,8%.

Os holandeses parecem compreender ainda menos que a rainha Beatriz, mãe do rei (que abdicou), recebe um salário anual de 1,7 milhões de euros, e que a herdeira do trono, a princesa Catharina-Amalia, possa vir a receber 300 mil euros por mês quando chegar aos 18 anos, em abril próximo.

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