Huawei? Altice Portugal “tranquila” perante “o que deve ser discutido nos locais próprios”

O CEO Alexandre Fonseca acredita que a atual fase da operação da Huawei transcende o “ambiente empresarial”. “Estamos a falar de questões de geopolítica e de influência entre os EUA e a China”.

Presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca | Foto cedida

O presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, disse que “Altice Portugal olha para a parceria que tem com a Huawei de forma tranquila”, esta quinta-feira, recusando qualquer preocupação com o que considerou ser “um período conturbado” para a empresa chinesa.

Nos últimos dias, a relação comercial e tecnológica entre os Estados Unidos e a China agravou-se, depois de a administração Trump ter emitido uma ordem que proibia empresas norte-americanas de vender tecnologia a empresas chinesas, sobretudo à Huawei, que acabou colocada numa lista “negra” do Departamento do Comércio dos EUA. E ainda que a entrada da Huawei nessa lista tenha sido adiada por três meses, já há a empresas a tomar precauções.

“Temos de olhar para o cumprimento escrupuloso da lei e para o que diz as diretivas da União Europeia. Desde que as condições de resiliência e segurança dos dados estejam acauteladas, não temos razão de queixa”, comentou Alexandre Fonseca ao Jornal Económico, em primeira mão, à margem do périplo que levou altos quadros da Altice aos concelhos de Covilhã, Gouveia e Seia esta quinta-feira, para assinalar a infraestruturação de 85%  no Maciço Central da Serra da Estrela, e que terminou na Escola Secundária de Seia numa ação de responsabilidade social da telecom.

Apesar de falar em tranquilidade, o CEO da operadora admitiu estar atento à polémica que envolve a Huawei e explicou que a empresa agirá “em linha com as necessidades para proteger os clientes”.

Questionado sobre um eventual “plano B” que aponte uma alternativa à parceria que a Altice Portugal tem com a Huawei, o gestor sublinhou que o que está a acontecer à tecnológica chinesa “ultrapassa o foro tecnológico”.

“Estamos a falar de questões de geopolítica e de influência entre os EUA e a China. A experiência diz-me que nestas coisas, que ultrapassam claramente o ambiente empresarial, devem ser debatidas nos locais e fóruns próprios”.

Mas poderá ocorrer algum tipo de impacto para a Altice Portugal, fruto da pressão norte-americana sobre a Huawei, que é hoje um parceiro estrutural para a Altice? “O impacto será mínimo”, concluiu Alexandre Fonseca.

Em dezembro de 2018, aquando da visita de Estado do presidente chinês, XI Jinping, a Portugal, a Altice firmou uma nova parceria estratégica, dessa vez ao mais alto nível, com a Huawei.

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