IADE, uma Escola Irreverente

50 anos depois do seu nascimento, o IADE, dirigido por Carlos Rosa, continua a trilhar o caminho da inovação apostando em áreas novas, e a seduzir estudantes internacionais.

Fundado pelo poeta e filósofo António Quadros, o IADE é hoje a Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia, com campus na Avenida D. Carlos I em Lisboa, para onde se mudou em 1997, deixando a sua primeira morada, o Palácio Quintela, no Chiado. E está de parabéns: celebra 50 anos de vida.

Até ao final do ano, esta efeméride merece momentos vários que pretendem comemorar o legado dos homens que mudaram o percurso do design em Portugal. Além disso, foi criado um novo logótipo da instituição por estudantes e professores da casa.

Em entrevista ao Educação Internacional, Carlos Rosa, diretor do IADE, olha o passado para perspetivar o futuro.

Qual o balanço de 50 anos de atividade no ensino do design?
O IADE impulsionou uma sociedade caracterizada pelo conservadorismo e onde algumas áreas de estudo escasseavam. António Quadros permitiu a proliferação de ideias numa geração que ambicionava a mudança, a aprendizagem e a abertura a novas culturas. Passados 50 anos, vemos reforçada a nossa responsabilidade em perpetuar este legado cultural e a excelência académica dos nossos estudantes. Permanecemos irreverentes, com um modelo de ensino que privilegia a prática e a proximidade de empresas e o intercâmbio de ideias entre disciplinas e culturas. Os estudantes continuam a ser nosso maior ativo e o sucesso que alcançam dentro e fora de portas o nosso maior orgulho. É para o sucesso dos estudantes que todos os colaboradores e docentes trabalham.

Meio século depois, o IADE continua a ser uma escola irreverente?
Sim, de forma muito consciente e com alguma soberba, diria que sim. A história do ensino do design em Portugal confunde-se com a história do IADE. Evoluímos, adaptámo-nos, mas mais importante reinventámo-nos. Conseguimos olhar para o passado e projetar os vários futuros que a faculdade atravessou. Desde a transformação dos cursos em licenciaturas à criação do doutoramento, desde a criação de programas puros à criação de licenciaturas e mestrados em áreas de fronteira cruzando áreas científicas, projetando para o mercado os profissionais do futuro – o que passou pela criação de desafios e parcerias com empresas à criação de incubadoras e unidades de investigação como a Fábrica e a UNIDCOM. Mas não vamos ficar por aqui. Fruto deste espírito inovador, abrimos este ano letivo a primeira licenciatura híbrida do IADE, pioneira no país.

Do que se trata?
É a licenciatura em Creative Technologies, que conjuga num só programa conhecimentos de arte e programação, design e engenharia. Foi desenhada em parceria com empresas e responde às necessidades do mercado de indústrias criativas ao promover o desenvolvimento de competências nas áreas do audiovisual, digital, multimédia, aplicações web e jogos. Mais um programa pioneiro como o IADE nos habituou ao longo dos seus 50 anos.

O modelo de ensino do IADE privilegia a prática e a proximidade às empresas. A escola está frequentemente associada a projetos de criação específicos. Qual a empregabilidade dos vossos cursos?
O IADE apresenta médias de empregabilidade muito acima da média nacional. A qualidade do corpo docente e a constante inovação dos programas é basilar, mas obviamente que os seus 50 anos ajudam. Repare-se que a maior parte dos criativos do país que estão agora em posições de liderança foram formados pelo IADE nos anos 90 e é muito comum os diretores de arte, os diretores criativos, quem tem cargos de liderança, ir recrutar na escola onde se formou. O que revela a excelente relação que o IADE tem com os seus antigos alunos. Tanto que os chamamos com muita frequência ao IADE, seja para masterclasses, seja para workshops ou desafios criativos.

O IADE chegou a ter um centro editorial bastante ativo, com a edição de uma revista. Estão previstas novidades neste campo?
Este ano em particular estamos a apostar em inúmeras publicações. Livros temáticos e pequenas edições de literatura de cordel que andarão em volta dos 50 anos do IADE. Houve de facto um período em que o número de livros e revistas editados por nós decresceu, mas o IADE tem um projeto editorial ambicioso para os próximos cinco anos. Fruto desta ambição decidimos até reforçar os laboratórios do IADE com um Print-Lab dedicado às técnicas tradicionais, como a serigrafia, a tipografia e a gravura que serão o ponto de partida para edições especiais.

Recentemente foi anunciada uma mudança de propriedade do IADE da Laureate Universities para o private equity Permira. O que muda com a mudança de propriedade?
Na faculdade não muda nada. Muda apenas o proprietário da entidade instituidora. As marcas mantêm-se, a universidade e as suas faculdades mantêm os seus projetos e os seus pipelines de crescimento.

Qual é o grau de internacionalização do IADE?
Os números são reveladores do caminho que estamos a traçar. Cerca de 10% dos estudantes são internacionais residentes, e repare-se que o IADE tem cerca de 2.500 estudantes no total. Recebemos ainda cerca de 300 estudantes Erasmus por ano letivo que escolhem o IADE para fazer mobilidade. Atualmente, oferecemos três licenciaturas em inglês que têm um semestre de mobilidade obrigatória, o que mostra que também estamos interessados em exportar talento, pois temos alunos nacionais nestes programas e, ao mesmo tempo, absorvemos cada vez mais estudantes de outros países. As licenciaturas em Global Design e em Games and Apps Development têm uma percentagem de alunos internacionais bem acima da média geral do IADE. Neste momento, o IADE orgulha-se de dizer que já é uma faculdade internacional.

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