Idanha-a-Nova vai ser a capital mundial da alimentação sustentável até domingo

O programa do FISAS – Fórum Internacional de Territórios Relevantes para Sistemas Alimentares Sustentáveis será composto por intercâmbios de conhecimento e de boas práticas agrícolas, visitas de campo e conferências em torno da agroecologia, agricultura familiar, agricultura biológica, acesso a recursos naturais, alterações climáticas, património agrícola e biodiversidade.

Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, vai receber a partir de hoje, dia 17 de julho, o Fórum Internacional Territórios Relevantes para Sistemas Alimentares Sustentáveis (FISAS), cujo objectivo será debater a alimentação como centro da Sustentabilidade Mundial.

“Um dos principais objectivos deste Fórum é produzir conhecimento e recomendações políticas para a construção de uma abordagem coordenada para a promoção de sistemas alimentares e dietas sustentáveis no quadro da ‘Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP [Comunidade de Países de Língua Portuguesa]’, da ‘Década da Agricultura Familiar’ e dos ‘Objetivos de Desenvolvimento Sustentável’”, explica um comunicado da organização deste evento.

O mesmo documento assinala que “num momento em que os limites do planeta estão a ser ultrapassados e parte significativa da população mundial está mal nutrida, em grande parte pelo modo em que estamos a produzir alimentos, será assumido em Portugal um renovado compromisso pela sustentabilidade alimentar”.

No encerramento do evento, será aprovada uma ‘Declaração para a Promoção de Sistemas Alimentares Sustentáveis’, um documento que se pretende seja de referência para a ação governativa e para programas que se destinem a promover uma urgente mudança para sistemas alimentares mais sustentáveis em Portugal e noutros países da CPLP.

O programa do FISAS será composto por intercâmbios de conhecimento e de boas práticas agrícolas, visitas de campo e conferências em torno da agroecologia, agricultura familiar, agricultura biológica, acesso a recursos naturais, alterações climáticas, património agrícola e biodiversidade.

Nestes cinco dias de debates e intervenções, estão previstas as presenças de José Graziano da Silva, director-geral da FAO – Organização das Naçõers Unidas para a Agricultura e Alimentação; Luís Capoulas Santos, ministro da Agricultura; assim como dos homólogos deste governante em representação da Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

“O FISAS será um espaço plural, abrigando o Seminário Internacional Sistemas Importantes do Património Agrícola Mundial, o Congresso Internacional das Bio-Regiões, o Fórum Mundial de Inovação Rural e a Oficina Políticas Públicas Locais para a Sustentabilidade Alimentar, além de intercâmbios de conhecimento, visitas de campo e exposição de boas práticas”, explica o referido comunicado.

O mesmo documento acrescenta que “estarão reunidos, no âmbito do FISAS mais de meia centena de especialistas, agricultores familiares e consumidores de alimentos, bem como decisores políticos provenientes de quinze países de quatro continentes, para debater e aprovar um compromisso internacional para a promoção de sistemas alimentares sustentáveis”.

Ainda, segundo a organização deste evento, o  V Fórum Mundial de Inovação Rural, terá como base a seleção, a apresentação e a discussão de boas práticas territoriais de políticas públicas, do acesso a recursos naturais, de modos de produção, organização e acesso a mercados, bem  como a valorização do património alimentar de Angola, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal, num fórum em que será lançado o ‘Prémio Mundial de Inovação Rural’, que visa distinguir as melhores práticas neste âmbito.

Por seu turno, o SIPAM (Seminário Internacional Sistemas Importantes do Património Agrícola Mundial e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Caminhos para a Cooperação) irá debruçar-se sobre sistemas agrícolas e alimentares, pré-identificados ou classificados como prioritários em Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e São Tomé e Príncipe, os quais se encontram actualmente ameaçados e cuja preservação dinâmica é fundamental

“A realização deste seminário irá contribuir para uma maior percepção da relação entre a proteção dinâmica destes sistemas e os ‘Objetivos de Desenvolvimento Sustentável’, e estabelecer parcerias com outras iniciativas no quadro da implementação da atividade de promoção de sistemas alimentares e dietas sustentáveis na CPLP. Neste contexto, será avaliada a possibilidade dos ‘Sistemas Importantes do Património Agrícola Mundial’, e respetivos planos de preservação dinâmica, poderem constituir núcleos virtuosos de um pacto territorial amplo conformado por uma bio-região”, destaca o comunicado da organização.

No âmbito do FISAS, terá também lugar o  I Congresso Internacional das Bio-Regiões, que “permitirá realizar um intercâmbio de conhecimentos sobre os desafios da implementação das bio-regiões em várias dimensões, nomeadamente: produtividade e diversificação produtiva; meio ambiente; economia; saúde e nutrição”, além de permitir “discutir a possibilidade de uma parceria com a iniciativa SIPAM  no quadro da implementação da atividade de promoção de sistemas alimentares e dietas sustentáveis na CPLP”.

Por fim, a ‘Oficina Políticas Públicas Locais para a Sustentabilidade Alimentar’ é uma iniciativa que terá como meta principal trocar conhecimentos sobre boas práticas de políticas públicas locais para a promoção da segurança alimentar e nutritional e de sistemas alimentares sustentáveis, e discutir a sua importância no quadro da implementação de sistemas alimentares e dietas sustentáveis na CPLP.

“Será possível avaliar a possibilidade de articulação  dos planos de preservação dinâmica de SIPAM e dos pactos para a  implementação de bio-regiões em políticas públicas locais para a promoção de sistemas alimentares e dietas sustentáveis, assim como discutir a implementação destas políticas e a sua relação com outras estruturas noutros níveis territoriais, nomeadamente, com os Conselhos Nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional dos Estados-Membros da CPLP”, defendem os responsáveis por esta iniciativa.

Para Francisco Sarmento, chefe do escritório da FAO em Portugal, “o FISAS surge como resposta política capaz de articular de forma coerente diversos atores e iniciativas para a promoção da transição para sistemas alimentares sustentáveis a nível territorial na CPLP, dos países ibero-americanos e dos países onde já existem bio-regiões”.

Já Armindo Jacinto, presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova acredita que “as bio-regiões constituem uma das principais respostas ao fenómeno da urbanização acelerada, do abandono das zonas rurais e da perda da biodiversidade e do conhecimento alimentar tradicional.”

O FISAS é uma coorganização de várias entidades entre as quais o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, o Secretariado Executivo da CPLP, o Município de Idanha-a-Nova, a ACTUAR – Associação para a Cooperação e o Desenvolvimento, o Mecanismo de Facilitação da Participação da Sociedade Civil no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (MSC-CONSAN – CPLP) e a Rede Internacional das Bio-Regiões.

O evento tem apoio internacional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

No mesmo período, de 17 a 21 de julho, realiza-se em Idanha-a-Nova a XXIII Feira Raiana que, nesta edição, associa a habitual temática ‘Produtos da Terra’ ao facto de este ser o primeiro município português a integrar a Rede Internacional de Bio-Regiões.

 

 

 

 

 

 

 

Ler mais
Recomendadas

Investimento de 54 milhões para produzir mirtilos em Alcácer do Sal

“Esta produção, completamente biológica, permitirá colher uma média de 9 mil toneladas de mirtilos por ano, que se destinam essencialmente a exportação, mas também ao preenchimento das necessidades nacionais”, segundo a autarquia de Alcácer do Sal.

PremiumPreço médio de venda do vinho subiu no primeiro trimestre, refere instituto

O vinho valorizou-se 2,1% no mercado nacional. Exportações crescem 5% no semestre, diz o presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, Bernardo Gouvêa.

PremiumVindimas no Douro vão ter aumento de 30% na produção

O IVV prevê uma boa vindima de norte a sul do país, incluindo a Madeira e os Açores. Para as regiões do Dão e da Beira esperam-se ‘disparos’ de produção de 35%. Tejo e Lisboa são as únicas a cair.
Comentários