Ilhas do Pacífico sem consenso nas medidas contra alterações climáticas devido à Austrália

Os líderes das 18 nações do Pacífico não chegaram a um acordo sobre a Declaração de Tuvalu, que havia sido produzida pelas nações de menor dimensão da região, tendo sido emitida a Declaração de Kaikani II, um texto que diminuiu o tom e os compromissos em relação ao fenómeno global das alterações climáticas.

O Fórum das Ilhas do Pacífico terminou na quinta-feira à noite em Funafuti, capital de Tuvalu, sem um consenso para redobrar a luta contra as alterações climática devido à posição da Austrália sobre o uso do carvão.

Os líderes das 18 nações do Pacífico não chegaram a um acordo sobre a Declaração de Tuvalu, que havia sido produzida pelas nações de menor dimensão da região, tendo sido emitida a Declaração de Kaikani II, um texto que diminuiu o tom e os compromissos em relação ao fenómeno global das alterações climáticas.

O anfitrião do Fórum, o primeiro-ministro de Tuvalu, Enele Sopoaga, chegou mesmo a acusar diretamente o seu homólogo australiano, Scott Morrison, como sendo o principal responsável pelas alterações da declaração.

“Você está mais preocupado em salvar a sua economia na Austrália (…) Eu estou preocupado em salvar o povo de Tuvalu” dos efeitos das alterações climáticas, disse Enele Sopoaga, segundo a emissora pública australiana ABC.

A declaração original pedia fortes medidas para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius, contribuições para o Fundo Verde para o Clima e a proibição imediata da construção de novas fábricas a carvão e minas desse mineral, bem como a sua eliminação gradual.

No entanto, a declaração de Kaikaki II exige medidas urgentes para manter as emissões abaixo de 1,5 graus e contribuições para o Fundo Verde, mas apenas “convida” os países a “refletirem” sobre os subsídios dados aos combustíveis fósseis e a sua transição para energias verdes.

“Eu entendo as sensibilidades desses problemas e tenho mostrado respeito. Não é apenas sobre a economia australiana, mas também como a Austrália pode continuar o seu apoio na região do Pacífico”, disse Morrison, aos media autralianos, ainda em Tuvalu

O primeiro-ministro das Fiji, Frank Bainimarama, escreveu, na sua conta da rede social Twitter, que “diluir as palavras sobre as alterações climáticas têm consequências reais, como inundar casas, escolas, comunidades e cemitérios ancestrais”.

Para a organização ambientalista australiana Edmund Rice Center, “a recusa da Austrália em reconsiderar a sua posição na mineração de carvão e a sua resistência ao aumento do atual objetivo, igualar o Acordo de Paris é insustentável se quiser manter um perfil respeitado no Pacífico”.

O Fórum das Ilhas do Pacífico é uma organização regional com 18 membros, a maioria deles nações insulares à mercê de desastres naturais e em perigo de desaparecer devido ao aumento do nível das águas.

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