‘Impeachment’: Donald Trump pede para ir a julgamento

O pedido foi feito durante uma entrevista por telefone ao canal de informação Fox News. Para que Donald Trump vá a julgamento, a Câmara de Representantes precisaria de o acusar formalmente. Mas para já, segue-se uma semana de pausa, durante a qual os democratas tentarão perceber se conseguem levar a votação da destituição presidencial ao Senado ainda antes do fim do ano.

O presidente norte-americano criticou o depoimento dado pela antiga embaixadora pelos EUA em Kiev, Marie Yovanovitch e pediu para que o processo de impeachment fosse levado a julgamento.

Durante uma entrevista por telefone ao canal de informação Fox News, esta sexta-feira, Donald Trump comentou, também, sobre a atual investigação de destituição que contou com os depoimentos de testemunhas-chave nas últimas duas semanas. Indignado e frustrado, o presidente norte-americano falou sobre o facto de os republicanos não terem sido autorizados a chamar testemunhas durante as audiências no Congresso, e sugeriu que fosse a julgamento para ter uma oportunidade de questionar o denunciante e o presidente do comité de inteligência da Câmara, Adam Schiff.

“Queremos [republicanos] ligar ao denunciante”, começou por dizer. “Mas sabem quem eu quero como primeira testemunha, porque, francamente, eu quero um julgamento ”, afirmou Trump.

Incrédulo, Brian Kilmeade, anfitrião da Fox & Friends, questionou: “Quer um julgamento?”. Ao que Trump respondeu: “Eu gostaria”.

Para que o processo seja levado a julgamento, a Câmara dos Representantes teria que acusar Donald Trump formalmente, algo que especialistas especulam deverá acontecer antes das eleições de 2020. Mas para já, segue-se uma semana de pausa, durante a qual os democratas tentarão perceber se conseguem levar a votação da destituição presidencial ao Senado, a câmara alta, ainda antes do fim do ano.

A chamada continuou e Donald Trump criticou a antiga embaixadora acusando-a de nunca o ter defendido e de ter falado mal dele: “Ela não pendurou uma foto minha na embaixada. Ela é responsável pela embaixada. Ela não pendurou. Demorou cerca de um ano e meio, dois anos para pendurar a fotografia. Ela disse coisas más sobre mim, ela não me defendeu. Eu tinha o direito de mudar a embaixadora. Esta mulher não era um anjo, ok? ”

A antiga embaixadora dos EUA na Ucrânia garantiu no Congresso, na semana passada, disse que ficou “horrorizada, devastada e em choque” ao ler a transcrição do polémico telefonema de Trump ao seu homólogo ucraniano. Durante a audição, a antiga embaixadora dos EUA disse ter sido alvo de uma “campanha de difamação” montada por Trump com a ajuda de ucranianos, que levou ao seu afastamento repentino e “inexplicável” do cargo em maio deste ano.“Foi um momento horrível. Fiquei pálida ao ler a transcrição, disse-me uma pessoa que estava comigo. Tive uma reação muito física”, explicou.

Nessa conversa, e segundo a transcrição divulgada pela Casa Branca, Trump ter-se-á referido à antiga embaixadora como “bad news” e garantido que iam “acontecer-lhe umas coisas” quando regressasse aos EUA. “Fiquei em choque”, disse ainda Yovanovitch, “devastada por saber que o Presidente dos EUA tinha falado daquela maneira sobre um embaixador com o chefe de Estado de outro país”. “Nem conseguia acreditar. Encarei aquelas palavras como uma ameaça.”

Nas duas semanas de audições públicas, um total de 12 diplomatas de carreira, funcionários públicos e nomeados políticos descreveu como o Presidente, através do seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, tentou pressionar a Ucrânia a anunciar uma investigação ao rival democrata e ex-vice-Presidente Joe Biden, que poderá ser o escolhido para disputar com Trump as eleições do próximo ano.

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