Imprensa regional ainda tem lugar no interior do país, garantem meios de comunicação social

Que mecanismos podem manter vivos os media que batalham, no interior, pela sua sobrevivência? Um debate que não tem facilidade em chegar a uma solução, segundo Luís Mendonça, da Universidade FM/Notícias de Vila Real, António Pereira, do “Diário de Trás-os-Montes”, Luís Castro, da RTP, e João Vilela, do “Voz de Trás-os-Montes”.

Cristina Bernardo

“Mais de metade da população lê mais a imprensa regional que a nacional”, disse Luís Castro, da RTP, no âmbito do primeiro painel do ciclo de conferências ‘Portugal Inteiro’, da responsabilidade da parceria entre a Altice e o Jornal Económico, cujo tema mais específico é ‘Inovação: o interior como oportunidade’. Em causa está ‘o papel dos media para a promoção e desenvolvimento do interior’.

Mas, apesar dessa realidade, a imprensa regional continua a fazer frente a dificuldades difíceis de ultrapassar. “No interior é mais difícil manter uma publicação isenta do poder que no litoral”, disse António Pereira, diretor do “Diário de Trás-os-Montes”. O segredo para solucionar esta dificuldade é só um: “manter os custos no mínimo possível”.

Mas a inovação pode também dar uma ajuda, como afirmou João Vilela, diretor do jornal “A Voz de Trás-os-Montes” – no seu caso no domínio comercial, “o que nos permitiu tornar-mo-nos sustentáveis e explorar outro tipo de iniciativas que de outra forma não faríamos”.

Mas não só: “lançámos há dois anos um novo site” – que não tem apenas ‘bondades’: “dificilmente conseguimos acompanhar a evolução” do setor digital, não só em termos económicos, mas também no que diz respeito à possibilidade de manter a aposta no que de mais modernos vai chegando ao mercado.

Já Luís Mendonça, diretor da Universidade FM/Notícias de Vila Real, recordou que há cada vez mais entraves ao processo de desenvolvimento dos media e uma espécie de boicote ao papel que os meios de comunicação social poderiam desempenhar, desde logo em termos das regiões. “O atual Governo tem sido castrador da atividade das rádios” no que tem a ver com a capacidade do setor aumentar o auto-financiamento.

O debate recentrou-se na inovação como forma de permitir o desenvolvimento dos media locais do interior. Para António Pereira, os sites em permanente atualização são uma das formas – mas não é fácil, dado o enorme desconto que aquele suporte informático praticam em termos de custos publicitários.

Mas João Vilela recordou que “em nenhuma circunstância o papel vai desaparecer”, para enfatizar que “o crescimento do digital é alavancado nas receitas publicitárias, que sistematicamente não chegam para sustentar” os projetos. “Não há incentivos para a aposta no digital”.

Luís Mendonça afirmou que “é muito difícil em Trás-os-montes aumentar receitas”, mas há sempre alguma coisa nova a fazer. A ligação entre o papel (de jornal), as rádios e o digital tem capacidade, em interligação, para novos formas de angariação de financiamento.

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