“Incerteza”: a culpada por um quinto da quebra da atividade económica da zona euro no primeiro semestre

A pandemia levou a um “aumento sem precedentes” da incerteza macroeconómica e em menor grau financeira. Efeitos são duradouros e irão atenuar a velocidade e o momentum da recuperação dos países da moeda única no curto prazo, estimam economistas do Banco Central Europeu.

É provável que o aumento da incerteza tenha contribuído significativamente para a quebra do PIB real da zona euro no primeiro semestre, podendo ter sido responsável por cerca de um quinto da redução da atividade neste período, e de forma mais intensa no segundo trimestre, com um impacto particularmente forte no investimento. A conclusão é dos economistas Arne Gieseck e Svetlana Rujin no artigo “The impact of the recent spike in uncertainty on economic activity in the euro area”, publicado esta terça-feira no Boletim Económico do Banco Central Europeu (BCE).

Os economistas do BCE antecipam que o aumento da incerteza deverá continuar durante algum tempo, provocando um abrandamento do crescimento da economia real dos países da moeda única durante os próximos trimestres. “As medidas de incerteza observadas continuaram em níveis altamente elevados em julho e agosto de 2020, e provavelmente continuarão elevados no curto prazo, pelo menos até que uma solução médica eficaz para a pandemia da Covid-19 seja encontrada”, explicam.

Utilizando um modelo de projeção sobre a resposta do crescimento do PIB real a um choque de incerteza macroeconómico estimam ainda que estes choques de incerteza irão condicionar o crescimento da economia até quatro trimestres.

“Tudo isto implica que, embora se espere uma recuperação da atividade económica nos próximos trimestres, a incerteza pode continuar a atenuar a velocidade e o momentum da recuperação no curto prazo”, realçam, sustentando – com base no modelo acima referido – que os choques de incerteza podem atenuar a recuperação esperada na atividade num total de 5% até meados de 2021. “Caso o aumento da incerteza persista durante um período mais longo, também pode implicar um impacto adverso para o potencial de crescimento de longo prazo”.

Os economistas salientam ainda que a pandemia desencadeou um aumento “sem precedentes” na incerteza, tendo a incerteza macroeconómica, a discordância de projeções e a incerteza de política económica aumentou para “níveis historicamente altos desde o início de 2020”, enquanto “a incerteza financeira “aumentou de forma mais modesta”.

“O impacto acumulado no nível do PIB real um ano após o choque é estimado em cerca de 0,4%. Depois disso, o significado do impacto diminui. Como era de esperar, a formação de capital fixo real reage muito mais fortemente a um aumento na incerteza (queda de 0,7% seis trimestres após o choque) do que o PIB real, enquanto o consumo privado real é menos afetado do que o PIB (queda de 0,2% um ano depois do choque)”, realçam, apontando ainda que os efeitos no emprego são duradouros: uma quebra de 0,2% após dois anos.

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