Incerteza do Brexit vai provocar “outro ano muito bom” para Portugal em 2019, estima AICEP

“Portugal já era um destino competitivo para este tipo de segmento de atividades, para expansões de centros de desenvolvimento como a Vodafone, de centros de computação em nuvem como a Claranet. O que o ‘Brexit’ veio fazer foi amplificar o número de empresas e intensificar [os investimentos] nestes anos. Isto se calhar podia ter acontecido ao longo do tempo”, vincou o presidente da AICEP.

O presidente da AICEP está confiante de que Portugal vai ter “outro ano muito bom” em 2019 em termos de investimento direto estrangeiro do Reino Unido, após dois anos recorde, continuando a beneficiar da incerteza em torno do ‘Brexit’.

“2017 e 2018 foram anos ótimos. 2019 está com a mesma taxa de crescimento e acredito que vai ser outro ano bom”, disse Luis Castro Henriques hoje à agência Lusa, onde chegou hoje para uma visita de dois dias com um programa de reuniões com atuais e potenciais investidores.

Mas desde a anunciada saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o ‘Brexit’, desencadeada pelo referendo de 2016 e prevista para este ano, embora a data de saída tenha sido adiada de 29 de março para 31 de outubro, que o ritmo de investimento acelerou.

“Portugal já era um destino competitivo para este tipo de segmento de atividades, para expansões de centros de desenvolvimento como a Vodafone, de centros de computação em nuvem como a Claranet. O que o ‘Brexit’ veio fazer foi amplificar o número de empresas e intensificar [os investimentos] nestes anos. Isto se calhar podia ter acontecido ao longo do tempo”, vincou o presidente da AICEP.

Luís Castro Henriques afirma que o ambiente de incerteza sobre a forma do ‘Brexit’, com ou sem um acordo, está a levar empresas britânicas e de outros países, como o Japão ou EUA, a deixar de investir no Reino Unido e a procurar opções fora, mas dentro da UE.

“Para Portugal isso é positivo porque estamos a ganhar quota de mercado nesse sentido. Se se vai manter por muitos anos, vai depender do desfecho do ‘Brexit'”, acrescentou.

De acordo com dados do Banco de Portugal, o Reino Unido investiu 758 milhões de euros em 2017 e 867 milhões de euros em 2018.

A fDi Markets, uma empresa do Grupo Financial Times dedicada ao estudo dos fluxos de investimento direto estrangeiro, contabilizou 26 projetos de investimento de 22 empresas britânicas em Portugal no valor de 460 milhões de euros, responsáveis pela criação de 1.400 postos de trabalho em 2018.

Esta estatística não é exaustiva pois não inclui expansões de empresas, como aquelas feitas pela Farfetch, Vodafone e Sky, mas apenas projetos de raiz, designados por ‘greenfield’, cujo número disparou 161% projectos desde 2015, segundo a fDi Markets, que considerou esta a melhor taxa de crescimento da Europa Ocidental.

Os investimentos do Reino Unido são maioritariamente na área dos serviços, o setor mais importante da economia britânica, como centros de apoio ao cliente ou centros de desenvolvimento de ‘software’, que procuram recursos humanos qualificados e com conhecimentos linguísticos.

Alguns dos mais recentes incluem as tecnológicas financeiras Revolut, Monese e Ebury, as ‘startup’ Onfido, Vakt e Applied Blockchain ou a consultora Marionete.

Nos próximos dias, o presidente da AICEP vai encontrar-se não só com empresas com operações em Portugal para avaliar a experiência e estudar potenciais expansões, mas também com potenciais investidores, que querem, sobretudo, saber onde podem encontrar a mão de obra necessária e as respetivas universidades.

Luís Castro Henriques diz que a AICEP está focada em atrair investimentos que criem postos de trabalho em Portugal e tenham um impacto directo na diversificação da balança exportadora nacional, dando como exemplo a Claranet, Sky e Vodafone, que prestam serviços ao resto do mundo, nomeadamente ao Reino Unido.

O presidente da agência admite que muitos dos investimentos são “muito pequeninos”, de apenas 10 a 20 pessoas.

“Mas a nossa experiência diz-nos que quem abre com 10, acaba rapidamente com 50, quem abre com 50 acaba rapidamente com 200 e quem abre com 100 acaba rapidamente com 500. O fundamental é que venham e descubram a qualidade do nosso talento”, afirmou.

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