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Indústria aérea enfrenta maior crise desde a pandemia mas privatização da TAP avança, garante ministro

“Mantemos tudo”, nos calendários de privatização da TAP, disse Miguel Pinto Luz em resposta à pergunta do Económico. O calendário para a privatização da TAP prevê que a venda seja concluída até julho de 2026. A indústria aérea enfrenta a maior crise desde a pandemia com a crise no Médio Oriente, que paralisou voos, reduziu o valor das maiores companhias aéreas do mundo em mais de 50 mil milhões de dólares e até levantou o fantasma da escassez de combustível.
21 Março 2026, 11h25

Apesar da crise que a indústria da aviação enfrenta devido à brutal subida dos custos  fruto da subida do preço do barril de querosene, derivado do petróleo, o Governo não tenciona alterar o calendário da privatização da TAP. A garantia é dada pelo Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, ao Jornal Económico.

“Mantemos tudo”, nos calendários de privatização da TAP, disse Miguel Pinto Luz em resposta à pergunta do Económico.

O calendário para a privatização da TAP Air Portugal prevê que a venda seja concluída até julho de 2026. O processo atual foca-se na alienação de uma posição minoritária de até 49,9% do capital da transportadora.  O modelo foi desenhado para alienar inicialmente apenas 49,9%, permitindo ao Estado manter o controlo estratégico numa primeira fase, com a possibilidade de uma segunda fase de privatização futura para o restante capital.

Em janeiro o Governo selecionou três finalistas para avançar para a fase de propostas económicas e planos estratégicos: Lufthansa, Air France-KLM e IAG (dona da British Airways e Iberia) e em fevereiro os interessados reuniram-se com a administração da TAP para aprofundar a análise das contas e operações (due diligence). As propostas não vinculativas são esperadas até dia 2 de abril.

No entanto esta semana a Bloomberg noticiou que a IAG pondera abandonar a corrida pela compra de uma participação na TAP Air Portugal. A notícia diz que a empresa-mãe da British Airways está inclinada a não comprar uma participação na transportadora estatal após concluir que o plano de Portugal de vender apenas uma posição minoritária não se enquadra na estratégia do grupo.

Lisboa prevê vender até 49,9% da TAP Air Portugal, incluindo 5% reservados para trabalhadores, impondo condições como a manutenção do hub da companhia em Lisboa e a proteção de rotas consideradas estratégicas.

A eventual saída da IAG reduz o número de interessados na companhia sobretudo valorizada pelas suas rotas para o Brasil, África e América do Norte.

“O preço do barril de querosene, derivado do petróleo, duplicou desde o ataque israelo-americano contra o Irão, a 28 de fevereiro, um aumento ainda superior ao do petróleo bruto, observou Willie Walsh durante uma conferência organizada pela Associação de Jornalistas Profissionais da Aeronáutica e do Espaço (AJPAE)”

A indústria aérea enfrenta a maior crise desde a pandemia de covid-19, impulsionada diretamente pelo conflito no Médio Oriente que escalou significativamente nas últimas semanas. O preço do barril de querosene, derivado do petróleo, duplicou desde o ataque israelo-americano contra o Irão, a 28 de fevereiro, um aumento ainda superior ao do petróleo bruto, observou Willie Walsh durante uma conferência organizada pela Associação de Jornalistas Profissionais da Aeronáutica e do Espaço (AJPAE).

As companhias aéreas tinham previsto dedicar, em média, 26% das suas despesas operacionais ao combustível este ano, com base num barril de querosene a 88 dólares, recordou Walsh, quando o preço já ultrapassava os 216 dólares, na quinta-feira.

“Não é preciso ser um génio para deduzir que os custos adicionais que as companhias terão de enfrentar, se a situação persistir, serão muito superiores ao que podem absorver”, acrescentou Willie Walsh, cuja associação reúne 360 transportadoras que representam 85% do tráfego mundial.

O diretor-geral da IATA, a principal associação mundial de companhias aéreas, afirmou esta sexta-feira que um aumento dos preços dos bilhetes de avião é “inevitável”, perante a subida dos preços dos hidrocarbonetos devido à guerra no Médio Oriente.

“O sector aéreo está a enfrentar a sua pior crise desde a pandemia, uma vez que a guerra no Médio Oriente paralisou voos, reduziu o valor das maiores companhias aéreas do mundo em mais de 50 mil milhões de dólares e até levantou o fantasma da escassez de combustível”

De acordo com uma notícia publicada também esta sexta-feira (21 de março de 2026) pelo Financial Times, a guerra dos Estados Unidos Israel contra o Irão, que está a afetar outros países do Médio Oriente levou ao cancelamento em massa de voos, ao encerramento temporário de espaços aéreos cruciais e a uma disrupção severa nas rotas que atravessam o Médio Oriente — uma das regiões mais importantes para o tráfego aéreo global.

O FT diz que desde o início do conflito mais intenso, as 20 maiores companhias aéreas cotadas em bolsa perderam no conjunto cerca de 53 mil milhões de dólares em valor de mercado, reflectindo o alarme dos investidores face à duração incerta da crise e ao impacto económico prolongado.

“O sector aéreo está a enfrentar a sua pior crise desde a pandemia, uma vez que a guerra no Médio Oriente paralisou voos, reduziu o valor das maiores companhias aéreas do mundo em mais de 50 mil milhões de dólares e até levantou o fantasma da escassez de combustível”, escreve o Financial Times.

Entre os efeitos mais imediatos estão a suspensão ou desvio de centenas de voos diários que sobrevoavam o Irão, Iraque, Israel, Jordânia e arredores; aumento significativo dos custos de combustível devido a rotas mais longas (desvios para sul pela Arábia Saudita ou para norte pelo espaço aéreo da Turquia e Cáucaso); queda na procura por viagens para/desde a região, afectando especialmente companhias do Golfo (Emirates, Qatar Airways, Etihad) e europeias com forte exposição ao Médio Oriente; e pressão adicional sobre margens já apertadas do sector, que ainda se recuperava dos prejuízos acumulados na pandemia.

Analistas citados pelo jornal apontam que esta é a perturbação mais grave para a aviação comercial desde os encerramentos generalizados de 2020–2021, superando mesmo as crises pontuais causadas por erupções vulcânicas ou tensões anteriores no Golfo.

As companhias de baixo custo e operadores regionais estão entre os mais vulneráveis, enquanto as grandes redes globais tentam mitigar o impacto através de ajustes de frota e aumento de preços de bilhetes em rotas afectadas.

O sector permanece em alerta para uma possível escalada adicional do conflito, que poderia levar a restrições ainda mais drásticas no tráfego aéreo internacional e a uma recuperação mais lenta do que o esperado para 2026.

Entretanto a United Airlines veio hoje dizer que estima que, se o preço do querosene se mantiver ao nível atual, inflacionado pela guerra no Médio Oriente, acarretará um custo adicional de 11 mil milhões de dólares, e anunciou uma redução “tática” da capacidade.

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