Indústria cimenteira nacional ameaçada por fim do serviço de interruptibilidade e preço da luz

Segundo dados da associação, o setor emprega, direta e indiretamente, 5.100 pessoas, e as suas exportações representaram 1.600 milhões de euros entre 2005 e 2018, contribuindo assim para o equilíbrio da balança de pagamentos.

Em comunicado, a ATIC – Associação Técnica da Indústria de Cimento – alertou este sábado, 25 de setembro, que “o anunciado fim do serviço de interruptibilidade, o aumento exponencial do custo da energia elétrica, e a exclusão do setor cimenteiro do âmbito de aplicação da Portaria anunciada a 15 de setembro pelo Ministro do Ambiente e Ação Climática, que cria o mecanismo de compensação dos custos indiretos de alguns setores industriais abrangidos pelo CELE [Comércio Europeu de Licenças de Emissão], coloca o setor numa situação de desvantagem competitiva face a outros setores nacionais e congéneres europeus”.

“Estas alterações são especialmente penalizadoras dado o momento critico que atravessamos em que se agudizam os esforços para cumprir novas metas de descarbonização, cada vez mais exigentes, agravadas pelo contexto pós-pandémico atual”, lê-se na nota de imprensa.

A associação que tem como associados a Cimpor e a Secil começa por manifestar preocupação pelo facto de a indústria cimenteira não ser abrangida pelas medidas que têm vindo a ser anunciadas pelo Governo, “visando compensar o fim da interruptibilidade, nomeadamente a adoção do mecanismo de compensação dos custos indiretos de CO2”.

O designado serviço de interruptibilidade prestado pelas indústrias de Alta e Muito Alta tensão (48 instalações a nível nacional das quais seis pertencem à indústria cimenteira), com fim anunciado a 31 de outubro de 2021, compensa as empresas pela interrupção de abastecimento de energia em caso de necessidade, evitando apações no sistema elétrico.

Assim, sublinha a ATIC, “é urgente prolongar o serviço de interruptibilidade face ao contexto atual e até que um pacote de medidas estruturais seja, efetivamente, adotado pelo Governo para permitir a sustentabilidade das empresas cimenteiras nacionais”.

Na passada terça-feira, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, anunciou em conferência de imprensa um conjunto de ‘almofadas’ para atenuar o impacto do aumento do preço de mercado da eletricidade, entre os quais a revogação do mecanismo de interruptibilidade, que – segundo as estimativas apresentadas – permitirá uma poupança anual de 100 milhões de euros.

“É possível afirmar, com algum grau de segurança, que o efeito conjunto de todas estas medidas permitirá assegurar a estabilidade tarifária para as famílias portuguesas do mercado regulado”, que abrange menos de um milhão de clientes domésticos, afirmou então o ministro.

Para a ATIC, “o aumento incomportável para as empresas dos preços da eletricidade – que triplicou no último trimestre e é muito superior ao praticado em países como França, e Alemanha que beneficiam ainda de outros apoios aos setores eletrointensivos — veio agravar ainda mais a atual situação, colocando as empresas do setor numa posição crítica”.

Segundo dados da associação, o setor emprega, direta e indiretamente, 5.100 pessoas, e as suas exportações representaram 1.600 milhões de euros entre 2005 e 2018, contribuindo assim para o equilíbrio da balança de pagamentos.

Recomendadas

Eletricidade. Desde 2009 que o valor da dívida tarifária não era tão baixo

A dívida vai afundar mil milhões em 2022, a maior descida registada desde 2008.

“Apoios de nove milhões foram cruciais para minimizar prejuízos”, revela presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto

“Esses apoios foram cruciais para, de alguma forma, minimizar aquilo que poderiam ser os prejuízos dos agricultores na venda das suas uvas”, revela Gilberto Igrejas. “Foram nove milhões de euros, na Região Demarcada do Douro, muito importantes para que o tecido produtivo não tivesse quebras superiores”, assegura o presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), na edição do podcast “Conversas com Norte” que irá para o ar na próxima segunda-feira.

CGTP considera medidas na proposta de OE2022 insuficientes

A intersindical reconhece o mérito do desdobramento dos escalões do IRS, mas considera esta medida “manifestamente insuficiente” e pede mais rasgo no combate ao “modelo de precariedade” que vigora em Portugal.
Comentários