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Indústria da cortiça reforça transição energética com nova caldeira de biomassa desenvolvida pela Energest

“Acreditamos que esta solução será replicada noutras unidades industriais que enfrentem desafios semelhantes de valorização de resíduos”, refere António Ribeiro, Diretor Comercial da Energest.
16 Março 2026, 21h59

A indústria da cortiça portuguesa dá mais um passo na transição energética com a instalação de uma nova caldeira de biomassa de elevada eficiência desenvolvida pela Energest – Engenharia e Sistemas de Energia para a DIAM Portugal, um dos líderes tecnológicos mundiais no fabrico de rolhas técnicas de cortiça.

Em comunicado a Energest diz que a nova caldeira tem uma capacidade para produzir 5 toneladas de vapor por hora. “O equipamento foi concebido especificamente para queimar pó de cortiça, mistura de terras e estilha de madeira, subprodutos com elevado potencial energético, mas que colocam desafios exigentes ao nível da combustão industrial. A solução permite transformar resíduos do próprio processo produtivo em fonte de energia, contribuindo para uma maior eficiência energética e redução da pegada carbónica”, segundo a nota.

De acordo com José Guedes, o projeto representa um avanço relevante na valorização energética de recursos nacionais. “Este é um projeto que posiciona a cortiça no centro da inovação energética, valorizando um recurso endógeno com forte impacto económico e ambiental. A caldeira foi desenvolvida com sistemas de alimentação independentes e grelha móvel, de forma a maximizar a eficiência operacional”, afirma.

O sistema foi projetado para garantir uma disponibilidade superior a 8.400 horas de funcionamento por ano, assegurando operação contínua e fiável e reduzindo significativamente as necessidades de manutenção — um dos desafios mais frequentes nas unidades industriais do setor corticeiro.

A Energest – Engenharia e Sistemas de Energia centra as suas atividades na conceção, projeto, construção e montagem de equipamentos e instalações térmicas industriais, para as mais diversas áreas de negócios.

A empresa lembra que o setor da cortiça tem registado crescimento significativo nos últimos anos, sendo a sustentabilidade energética um dos principais desafios para as unidades industriais. Um dos problemas recorrentes prende-se com o elevado tempo de indisponibilidade das caldeiras devido à frequência de intervenções de manutenção.

Para responder a essa realidade, “a solução técnica desenvolvida pela Energest aposta em robustez, flexibilidade e elevada eficiência térmica, estando preparada para lidar com a variabilidade dos combustíveis utilizados — condição essencial para garantir o fornecimento contínuo de vapor, mesmo quando há alterações nas tipologias de biomassa disponíveis”.

O sistema inclui ainda um economizador que permite recuperar calor dos gases de combustão. Este permutador gases/água aumenta a temperatura da água de alimentação da caldeira, melhorando o rendimento global do sistema e reduzindo o consumo de biomassa.

Projeto estratégico para a indústria

O investimento da DIAM tem despertado interesse de várias empresas do setor, que enfrentam dificuldades semelhantes associadas à combustão de resíduos heterogéneos e com elevado teor de cinzas. A solução desenvolvida pela Energest poderá, assim, tornar-se uma nova referência tecnológica para a indústria corticeira.

A conclusão da instalação está prevista para o segundo trimestre de 2026, sendo que o comissionamento deverá ocorrer no final do primeiro trimestre.

Para António Ribeiro, o projeto poderá ter impacto alargado no setor. “Acreditamos que esta solução será replicada noutras unidades industriais que enfrentem desafios semelhantes de valorização de resíduos”, refere.

Com esta iniciativa, a DIAM Portugal reforça a aposta num modelo produtivo mais sustentável, aproveitando resíduos de cortiça como fonte de energia e demonstrando como a inovação tecnológica pode contribuir para posicionar a indústria corticeira portuguesa na linha da frente da transição energética.


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