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Indústria portuguesa de calçado com melhor desempenho que Itália e Espanha

No contexto de forte concorrência – e antes que o mercado sofra mais convulsões cuja dimensão ninguém conhece – as exportações de calçado português estão em alta. Ao contrário do que sucede com alguns dos seus mais diretos adversários.
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10 Julho 2025, 15h08

A indústria portuguesa de calçado cresceu no início de 2025: nos quatro primeiros meses do ano, o setor exportou 26 milhões de pares, no valor de 576 milhões de euros, “o que representa um crescimento de 6,2% face ao período homólogo do ano anterior”, refere a APICCAPS, a associação da indústria do calçado. “Já a indústria espanhola estabilizou as exportações, enquanto a italiana recuou 4,1% nas vendas ao exterior. A nível europeu (crescimento de 2,8%), o calçado português é mesmo o que revela o melhor desempenho.”

“Num ano de grande indefinição como este, o facto de as empresas portuguesas investirem de forma contínua em tecnologia de ponta, o que lhes permite responder de forma célere ao mercado, é uma mais-valia inquestionável”, sublinha Luís Onofre, citado em comunicado. “Os investimentos que temos em curso, no âmbito do PRR, na ordem dos 100 milhões de euros, seguem essa linha de raciocínio”, explicou.

No plano internacional, as exportações chinesas recuaram 8,3% até maio. Recorde-se que a China assegura mais de 50% da produção mundial de calçado. Pior mesmo só a Turquia, que recuou 14,6% no início de 2025. Já a Indonésia e o Vietname, outros dois players de referência, parecem estar a aproveitar a conjuntura internacional e aumentaram as vendas ao exterior, respetivamente, em 143% e 12,9%.

O presidente da APICCAPS recorda que “para além dos dois cenários de guerra a nível internacional, a crescente tensão geopolítica é uma grande preocupação.” Acresce que “o mundo empresarial está em suspense, pelo menos até 1 de agosto, para perceber as consequências de um novo posicionamento tarifário.” Por esse motivo, “ainda que o mercado americano seja uma grande prioridade para o calçado português, estamos igualmente a investir noutras geografias”, admitiu Luís Onofre.

Para um setor que exporta mais de 90% da sua produção, “a conquista de novos mercados de elevado potencial de crescimento é, desde há muito, uma prioridade estratégica. As exportações extracomunitárias representam atualmente 19% do total do setor do calçado, mais do dobro do registado uma década antes. A Coreia do Sul demonstra ser um desses exemplos a explorar. Por esse motivo, de 15 a 17 de julho, 11 empresas portuguesas vão integrar o Portuguese Shoes Showcase, em Seul, numa iniciativa da APICCAPS, em parceria com a AICEP e com o apoio do programa COMPETE 2030”, refere o documento.

“Ainda que possa parecer, à vista desarmada, um mercado pouco natural para o calçado português, numa análise mais aprofundada perfila-se como uma excelente oportunidade”, admite Luís Onofre. De acordo com o World Footwear Yearbook, a Coreia do Sul importa anualmente mais de 250 milhões de pares de calçado, em especial da China (quota de mercado de 71%), Vietname (17%) e Indonésia (7%).

Com uma população de 52 milhões de pessoas e um PIB per capita de 32.250 dólares (que compara com os 24.522 dólares de Portugal), a Coreia do Sul “merece uma avaliação mais atenta dos empresários portugueses”, concluiu o presidente da APICCAPS.


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