Inflação nos EUA acelera para 2,6% em março, acima das expectativas (com áudio)

O consenso dos analistas apontava para uma subida de 2,6%. As expectativas sobre o acelerar da inflação, impulsionado pelo aumento do consumo com o desconfinamento e o acumular de poupanças e de liquidez oriunda de estímulos e ainda de uma apreciação dos preços das ‘commodities’ provocou nas últimas semanas uma subida das yields da dívida soberana americana e nervosismo nos mercados bolsistas.

A inflação homóloga acelerou para 2,6% em março nos Estados Unidos, de 1,7% no mês anterior, e acima dos 2,4% no consenso dos analistas, informou esta terça-feira o U.S. Bureau of Labor Statistics.

“O índice de todos os itens subiu 2,6% nos 12 meses que terminaram em março, um aumento muito maior do que os 1,7% reportados no período que terminou em fevereiro”, disse, em comunicado.

“O índice para todos os itens menos bens alimentares e energia subiu 1,6& nos últimos 12 meses, depois de aumentar 1,3% no período de 12 meses que terminou em f evereiro”, vincou, adiantado que o índice de bens alimentares subiu 3,5% nos últimos 12 meses, enquanto o índice de energia aumentou 13,2%.

Em cadeia, ou seja face a fevereiro, o Índice de Preços no Consumidor (IPC), ajustado sazonalmente, subiu 0,6%, o que que compara com 0,4% no mês anterior e uma estimativa média de 0,5%. O aumento mensal foi maior desde agosto de 2012.

As expectativas sobre o acelerar da inflação, impulsionado pelo aumento do consumo com o desconfinamento e o acumular de poupanças e liquidez oriunda de estímulos e ainda de uma apreciação dos preços de commodities, provocou nas últimas semanas uma subida das yields da dívida soberana americana.

A tendência tem preocupado os investidores nos mercados bolsistas, pois a subida das yields torna as ações menos atrativas e poderá levar a Reserva Federal (Fed) a tornar a política monetária menos acomodatícia, nomeadamente através da redução da compra de ativos ou de um aumento do federal funds rate mais cedo do que esperado.

Jerome Powell, presidente do banco central, tem reiterado, no entanto, que a subida da inflação deve-se ao efeito base, ou seja devido à quebra dos preços no início da pandemia em março do ano passado. A Fed acredita, portanto, que será uma tendência transitória e pouco significativa, prometendo ser paciente em relação a qualquer alteração na política monetária.

[Em atualização]

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