Portugal e o mundo ainda agora se livraram da inflação elevada e já há alertas para o seu regresso. “Atualmente, acreditamos que o principal risco macroeconómico não refletido nos preços de mercado é o regresso da inflação a níveis estruturalmente mais elevados do que os observados hoje”, escreve Giordano Lombardo, CEO da Plenisfer Investments SGR, parte da Generali Investments.
“Isto poderá ser impulsionado pelo aumento do protecionismo e da desglobalização; pelo envelhecimento da população e o seu impacto nos mercados de trabalho; e pela pressão política para redistribuir a parcela do rendimento nacional atribuída ao trabalho, após décadas de declínio”, considera o analista.
À boleia das “poderosas medidas de estímulo monetário e orçamental adotadas após a pandemia, das tensões nos mercados de matérias-primas decorrentes da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, das políticas de Trump”, o mundo tem hoje “um ambiente macroeconómico totalmente novo”, que é “profundamente diferente daquele que prevaleceu nas três décadas anteriores”. A combinação destes fatores “pôs quase certamente fim ao regime de baixa inflação, baixas taxas de juro e crescimento global liderado pelos Estados Unidos”, conclui Giordano Lombardo, embora admita que “ganhos de produtividade decorrentes da revolução da Inteligência Artificial” possam ter “um efeito deflacionista”.
O CEO acredita que as políticas monetárias e orçamentais “expansionistas” continuem em vigor em 2025 nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia; nota que “os riscos de conflitos armados baseados no exercício unilateral de poder por grandes potências permanecem elevados”; e sublinha que “a depreciação do dólar norte-americano face aos metais preciosos e às principais moedas também prossegue, como resultado das políticas orçamentais e comerciais implementadas pelos Estados Unidos”.
O cenário não é muito animador para os investidores, uma vez que “as valorizações acionistas e os spreads de crédito estão muito ‘apertados’”, os rendimentos das obrigações soberanas “continuam em risco devido a défices orçamentais excessivos, especialmente nos Estados Unidos, mas também noutros países como a França e o Reino Unido” e “persistem riscos no capital privado e no crédito privado, com potenciais consequências para os mercados de títulos cotados”.
“Num contexto de maior intensidade de capital, níveis recorde de endividamento e retornos esperados mais diminutos, um erro de alocação, excesso de alavancagem ou uma adesão passiva às tendências dominantes podem ter consequências negativas duradouras”, alerta.
Ainda assim, o analista diz estar convencido “de que o conjunto de oportunidades de hoje é muito mais semelhante ao de 1999 [bolha da Internet no final dos anos 90] do que ao de 2008” [crise financeira global].
“Podem encontrar-se oportunidades atrativas nos mercados emergentes, tanto em ações como em obrigações, em ações internacionais de pequena capitalização e também em ações de grande capitalização fora dos Estados Unidos”, embora as valorizações nos mercados de crédito sejam “muito menos favoráveis”.
“Isto não significa que o ambiente tecnológico fundamental seja comparável ao do final dos anos 1990”, ressalva. “Existem semelhanças, mas também diferenças significativas. No entanto, acreditamos que o conjunto de oportunidades é muito semelhante nos dois casos e que a construção de portefólios pode beneficiar de uma ampla diversificação entre ativos internacionais, mantendo simultaneamente um nível global de risco que não seja excessivamente baixo”.
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