Inflação volta a colocar os touros fora de combate

A cautela que dominou nos dois primeiros dias da semana foi recompensada.

Ralph Orlowski/Reuters

Já sem o ruído derivado do impasse do tecto da dívida os investidores entraram para esta semana com o tema da inflação em grande plano, não apenas nos dados que iriam sair, nomeadamente o Consumer Price Index e o Producer Price Index, mas também de indícios que as empresas possam dar na apresentação dos seus resultados relativamente ao impacto que o aumento do custo de vida está a ter no seu negócio, assim como a escassez de recursos humanos e de materiais.

Para além disso e no que diz respeito ao sector financeiro, que como habitualmente é o primeiro a entrar em cena na earnings season, a atenção do mercado está no que o sector pode transmitir sobre a subida dos juros que já ocorreu em parte do mercado, nomeadamente nas obrigações soberanas dos EUA, e na influência que esse movimento pode ter no apetite dos consumidores e empresas no recurso ao crédito como fonte de investimentos e de consumo.

Hoje, com a saída dos dados sobre o Consumer Price Index a cautela que dominou nos dois primeiros dias da semana foi recompensada, uma vez que após a surpresa negativa, mais dovish, dos non-farm payrolls, a subida dos custos para os consumidores foi acima do esperado, deitando por terra a teoria de que o pico do crescimento já tinha sido atingido. Com efeito na componente geral o CPI aumentou em Setembro 0,4% em relação ao mês anterior, superior aos 0,3% antecipados, ao passo que na variação anual o índice subiu 5,4%, igualmente mais forte que os 5,3% esperados pelos analistas e ao ritmo mais elevado desde 2008.

Uma boa parte da robustez da inflação deriva do preço da energia, uma vez que extraindo os segmentos mais voláteis do CPI, como a energia e a alimentação, o indicador cresceu 0,2% no mês e 4% no horizonte anual, o que não obstante ser uma redução quando comparado com o máximo dos últimos 30 anos atingido em Junho, quando registou 4,5%, o certo é que o nível está muito acima da média de longo prazo, o que começa a preocupar todos os intervenientes do mercado.

Mas curiosamente e apesar do relatório ser tendencialmente hawkish, os investidores reagiram de forma contraria ao que se podia esperar, os juros das obrigações soberanas cederam ligeiramente e o U.S dólar recuou face a um cabaz de outras moedas principais, o que está a dar alento ao sector tecnológico para navegar com maior força relativa, evitando mesmo o vermelho que prevalece no S&P500 e no Dow Jones.

O gráfico de hoje é do LCrude, o time-frame é semanal.

 

Agora que quebrou o duplo topo (azul), o crude pode ir fechar o GAP que abriu em 2014, perto dos 100 dólares por barril (laranja).

Recomendadas

Wall Street encerra ‘mista’ com destaque para sector tecnológico

A Visa foi uma das empresas que mais prejudicou o Dow Jones que, pela primeira vez em quatro dias, encerrou em terreno negativo. As ações da Visa caíram 6,93% após emitir uma perspetiva de receita que alguns analistas consideraram “conservadora”.

Bolsa portuguesa acompanha tendência europeia e encerra em terreno negativo

BCP, que divulga esta quarta-feira contas, e Galp Energia empurram o PSI-20 para o ‘vermelho’. Em terreno positivo, destacam-se a EDP e EDP Renováveis, que encerraram o dia a valorizar 0,99% para os 4,89 euros e 1,44% para os 24,02 euros, respetivamente.

EDP Brasil entra oficialmente numa bolsa espanhola

A empresa (detida em 52% pelo grupo EDP) passa a negociar na Latibex, o único índice bolsista internacional focado exclusivamente em títulos da América Latina negociados em euros.
Comentários