ING: reintrodução de tarifas ao Brasil e Argentina sinalizam que acordos com os EUA têm “valor limitado”

Timme Spakman, economista e analista sénior do ING, lembrou que a administração Trump tinha concedido uma isenção de tarifas ao Brasil e à Argentina no ano passado. Depois de anunciar a reintrodução de tarifas a estes países no Twitter, o ING considerou que os “acordos com os EUA podem ser descartados quando os ventos políticos se alteram”.

Esta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos recorreu uma vez mais ao Twitter para fazer um anúncio. Desta vez, Donald Trump dirigiu-se ao Brasil e à Argentina e anunciou que os EUA vão impor novas tarifas às importações de aço e de alumínio com origem nestes dois países como retaliação por estarem a desvalorizar a moeda, o que tem prejudicado os agricultores norte-americanos.

“O Brasil e a Argentina têm levado a cabo uma enorme depreciação da moeda, o que não é bom para os nossos agricultores. Por isso, com efeitos imediatos, eu vou reestabelecer as tarifas ao aço e ao alumínio desses países que é enviado para os EUA”, lê-se no tweet do presidente norte-americano.

Estas medidas podem ser não apenas ilegais, como podem enviar uma mensagem de “valor limitado” sobre os acordos celebrados pelos EUA enquanto Donald Trump ocupar a Casa Branca.

A opinião é de Timme Spakman, economista e analista sénior do ING, um banco holandês. Numa nota de research, o economista defende que a reimposição de tarifas “sinaliza que os acordos comerciais celebrados com os EUA são de valor limitado”.

“Uma isenção de tarifas foi concedida ao Brasil e à Argentina no ano passado depois de terem acordados limitar as exportações de aço para os EUA”, lembrou Timme Spakman. “Claramente, esses acordos podem ser descartados quando os ventos políticos se alteram”.

Timme Spakman referiu ainda que estes acordos norte-americanos de “valor limitado” poderão ter um impacto nas negociações entre os EUA e a China, que estão em guerra comercial há cerca de um ano e meio. “A China estará atenta a isto e a perguntar-se-á até onde quererá ir nas negociações com Trump, sabendo que um acordo poderia ser de curta-duração”, escreveu o analista do banco holandês.

Além disso, Timme Spakman referiu que as tarifas anunciadas por Trump sobre o Brasil e a Argentina podem ser ilegais. “O presidente Trump anunciou as tarifas no Twitter, afirmando que teriam efeitos imediatos. No entanto, não é claro se o Trump tem autoridade para tal. O tribunal para o comércio internacional norte-americano decidiu, no dia 15 de novembro, que um aumento de 50% nas tarifas sobre aço e alumínio era ilegal”, disse o analista do ING.

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