Iniciativa Liberal recusa investimento público “muito vultuoso e sem retorno” como nos governos de José Sócrates

João Cotrim Figueiredo aproveitou o encontro com o Governo para requerer que a “moratória” nas cirurgias e consultas que resultou da concentração do Serviço Nacional de Saúde na resposta à Covid-19 seja respondida com recursos à saúde privada e social.

Cristina Bernardo

O presidente e deputado único da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, disse no final do encontro com o Executivo para debater o Programa de Estabilização Económica e Social que a grande prioridade na resposta ao impacto da pandemia de Covid-19 deverá ser a criação de uma economia “mais ágil e mais dinâmica”, aplicando critérios de viabilidade e rentabilidade aos projetos apoiados por instrumentos financeiros de base nacional e europeia. Essa será a receita para evitar que não se repita “o que aconteceu na governação de engenheiro Sócrates, com investimento público muito vultuoso, mas sem retorno, que conduziu a uma dívida pública que teve de ser paga com o esforço de todos nós”.

À saída da reunião com o primeiro-ministro António Costa, com os ministros de Estado Mário Centeno (Finanças), Pedro Siza Vieira (Economia) e Mariana Vieira da Silva (Presidência), e com o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, João Cotrim Figueiredo admitiu que, além de defender a flexibilização dos contratos de trabalho, a reforma da justiça para agilizar processos de insolvência de empresas e o reforço dos direitos dos contribuintes face à Autoridade Tributária, também falou “mais brevemente” de um dos temas que alarga ainda mais o fosso ideológico existente entre a IL e o PS: a “vantagem absoluta de simplificar e desonerar o sistema fiscal”.

Elogiando a “abertura para ouvir” demonstrada nesta semana pelo Governo, depois de a disponibilidade do seu partido para colaborar ter sido “desprezada” por António Costa – Cotrim Figueiredo referiu-se mesmo ao episódio em que, num debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro se referiu à “Iniciativa Estatal” -, o presidente da IL criticou a “falta de sentido de urgência e de determinação” e excesso de “cálculo político” na resposta à crise económica.

Crise “profunda e grave”

Apesar da “grande diferença ideológica” entre os interlocutores, João Cotrim Figueiredo disse aos jornalistas que todos partilham a “consciência de que estamos perante uma crise profunda e grave”, cuja duração “vai depender da nossas resposta e essa resposta tem de preparar o país para reagir agilmente aos perigos e ameaças conhecidos por todos e às oportunidades que se vão apresentar aos portugueses”.

Durante o encontro, o Governo disse ao presidente da IL que das 115 mil empresas que recorreram ao lay-off simplificado em abril, 40 mil não renovaram o pedido em maio. “A pergunta que se põe é se não renovaram porque já não têm necessidade e voltaram a laborar, ou se já não acreditam que seja possível voltar a laborar, entrando em processo de dissolução”, comentou Cotrim Figueiredo. Apesar de existir a convicção de que está a ocorrer “um retorno significativo à atividade”, destacou que a procura externa necessária para as empresas exportadoras vai demorar muitos trimestres a regressar aos valores de 2019, sendo também lenta a retoma visível nas ruas portuguesas, o que disse estar ligado aos excessos de cuidados para prevenir o contágio.

No que toca ao Serviço Nacional de Saúde, João Cotrim Figueiredo realçou que este “reagiu bem a esta crise porque deixou de responder às outras necessidades de cuidados de saúde da população”, defendendo que essa “moratória” de centenas de milhar de cirurgias e de milhões de consultas tem de incluir recursos do sistema privado e social de saúde.

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