Iniciativa Liberal sobre Reguengo de Monsaraz: “Vai o Governo assumir alguma responsabilidade política?”

Num documento enviado ao Governo, a Iniciativa Liberal pede que seja esclarecido “quem falhou para com os cidadãos idosos que estavam ao cuidado do Lar” e procura ainda saber quais os “procedimentos urgentes implementou o Governo para que se esclareçam estas falhas”.

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Miguel A. Lopes/Lusa

Depois das declarações da ministra do Trabalho ao jornal Expresso, onde desvalorizada os lares, a Iniciativa Liberal (IL) enviou uma pergunta a Ana Mendes Godinho, mas também a Marta Temido onde questiona o Governo sobre o lar de Reguengo de Monsaraz.

“Vai o Governo assumir alguma responsabilidade política? Ou, à semelhança de outros casos de gritantes falhas do Estado (incêndios, Tancos ou caso das golas, só para citar alguns) , vai tentar que o assunto caia no esquecimento ou tentar encerrá-lo arranjado um bode expiatório?”, questiona o partido liderado por João Cotrim de Figueiredo.

No documento enviado ao Governo, a IL pede que seja esclarecido “quem falhou para com os cidadãos idosos que estavam ao cuidado do Lar” e procura ainda saber quais os “procedimentos urgentes implementou o Governo para que se esclareçam estas falhas”.

“Estava o rácio de enfermeiros por residente a ser cumprido, havia adequado acompanhamento médico e estavam as autoridades de saúde responsáveis ao corrente destas situações?”, perguntou ainda a Iniciativa Liberal.

Os liberais consideraram que “começa a ser preocupante o padrão de ausência de explicações em matérias relacionadas com a capacidade de resposta das entidades oficiais aos problemas resultantes da estratégia de combate à Covid”.

“Nos últimos dias, as informações que têm vindo a público relativamente ao sucedido no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, acrescentam razões de grande preocupação. O inquérito da Ordem dos Médicos aponta graves falhas a nível local, a nível das instituições reguladoras e a nível da falta de fiscalização”, frisou a IL que recordou também que a “sucessão de erros, omissões e incompetência generalizada conduziu a um total de 162 infetados e custou a vida a 18 portugueses”.

A 7 de agosto, o Ministério Público (MP) avançou com um inquérito sobre o surto de covid-19 o lar em Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, onde morreram 18 idosos, segundo a Lusa que também informou que no lar tinham sido contaminados 80 utentes e 26 profissionais.

Sobre o sucedido em Reguengos de Monsaraz, a ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho apontou ao Jornal Expresso que não faz sentido falar de casos concretos de surtos da Covid-19 em lares e sobre a situação ocorrida em Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas. “No caso de Reguengos, a grande dificuldade foi encontrar funcionários quando muitos ficaram doentes”, destacou a governante.

As afirmações de Ana Mendes Godinho têm suscitado reações politicas e tanto o CDS-PP como o PSD já pedem a demissão da ministra do Trabalho.

 

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