Iniciativa Liberal vê Plano de Resiliência como “indício de uma oportunidade perdida”

João Cotrim Figueiredo reagiu ao Plano de Recuperação e Resiliência com críticas ao “dirigismo” e “aspetos propagandísticos” de um documento em que apenas um terço das verbas se destinam a investimento reprodutivo, com recapitalização das empresas e geração de emprego.

Cristina Bernardo

O deputado único e presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, qualificou o Plano de Recuperação e Resiliência, que lhe foi apresentado na manhã desta segunda-feira pelo Governo, como o “indício de uma oportunidade perdida” para mobilizar a sociedade portuguesa e alcançar um nível superior de bem-estar no país. Os liberais foram os primeiros a ser recebidos na residência oficial do primeiro-ministro, seguindo-se audiências com o PEV, PCP, PAN, Chega, CDS, Bloco de Esquerda e PSD.

Referindo-se ao documento que lhe foi apresentado pelo primeiro-ministro António Costa como “um catálogo de ideias sem prioridades, ou com demasiadas prioridades”, que se caracteriza pelo “dirigismo” e por “aspetos propagandísticos do ponto de vista político”, João Cotrim Figueiredo pôs em causa a capacidade de o Executivo dar resposta às verbas provenientes da União Europeia para recuperar do impacto da pandemia de Covid-19.

“Nos seus melhores anos, Portugal executou 3.200 milhões de euros. O período que se avizinha, nos próximos seis ou sete anos, exige uma execução de seis a sete mil milhões de euros anuais e o Governo prepara-se para ter o mesmo tipo de governação desses fundos, com o Estado a impor prioridades e projetos sem aproveitar a oportunidade única de mobilização da sociedade portuguesa no seu todo”, disse o líder da Iniciativa Liberal.

Salientando que Portugal tem vindo a ser ultrapassado por países europeus que fizeram reformas que alteraram a sua estrutura sócio-económica, Cotrim Figueiredo destacou que o Plano de Recuperação e Resiliência diz sobretudo respeito à componente de subvenções comunitários, de entre 12 a 13 mil milhões de euros, sendo que “menos de um terço desse montante diz respeito a investimento reprodutivo, recapitalização de empresas e geração de emprego”.

Para o presidente da Iniciativa Liberal, falta uma “estratégia clara para a geração de riqueza”, temendo que se repitam “investimentos pouco reprodutivos” que ao longo dos últimos anos provocaram um “nível de dívida pública altíssimo” e uma “produtividade a cair em termos relativos face aos nossos concorrentes europeus”. Algo que, em sua opinião, limitou o crescimento dos salários e financiamento de bons serviços públicos.

O Plano de Recuperação e Resiliência estará em debate no plenário da Assembleia da República nesta quarta-feira, marcando a primeira deslocação do primeiro-ministro António Costa ao hemiciclo nesta sessão legislativa. Na véspera, o documento será discutido no Conselho Económico e Social.

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