A inspeção a motociclos já estava a borregar há mais de 10 anos, mas conheceu a machadada final este ano. Desde 2012 que a medida está para ser implementada, mas Luís Montenegro enterrou a medida de vez. Os centros de inspeção investiram em vão e o processo nunca avançou.
“É um erro político que envia várias mensagens erradas para a sociedade”, disse ao JE Pedro Dias, administrador-delegado da Controlauto. “Uma inspeção não verifica só a segurança, mas também as emissões e o ruído”.
“O Estado português transpôs uma diretiva europeia e comprometeu-se a implementar as inspeções técnicas de motociclos. E agora a Assembleia da República vem dar o dito por não dito e vem dizer que podem haver formas alternativas”, acrescentou.
“Foi este Governo que deu o impulso final com a formação dos inspectores… tudo estava preparado para que começassem as inspeções aos motociclos.
O responsável considera que houve uma cedência ao “lóbi do setor dos motociclistas” que alegaram que a “maior parte da sinistralidade não se deve a causas mecânicas”.
Mas a “verdade absoluta é que a sinistralidade nos motociclos continua a aumentar: 7% no último ano: 23 de um total de 170 fatalidades. Se pudermos poupar uma, duas ou 10 fatalidades, não valeu já a pena a inspeção?”, questionou, apontando que o valor de uma inspeção de motociclos custaria 14 euros, “um valor muito pouco relevante”.
“Tentou-se também fazer crer que isto estava em cima da mesa por pressão dos centros de inspeção, mas isso não é verdadeiro porque não representaria 1% das nossas receitas, estamos a falar, se calhar, de 20 mil euros por ano”, afirmou.
Para o futuro, o líder da Controlauto espera que a medida seja revertida “a bem da segurança rodoviária”.
E dá o exemplo de França: “há uns anos, o Governo tentou avançar e as federações dos motociclistas reagiram. O Governo, por questões políticas, na altura recuou e agora, finalmente estão a implementar outra vez”.
Sobre os casos de corrupção e fraude nos centros de inspeção que surgem nas notícias de tempos a tempos, considera que “a fiscalização tem melhorado bastante nos últimos anos”, mas que é preciso continuar a ter uma “atenção forte à fiscalização do setor”.
Os centros de inspeção também contam com novos clientes: os carros elétricos, que também estão sujeitos a inspeções.
“Como em todos os automóveis e pesados, verificamos a parte de segurança, travões, amortecedores e luzes. Não verificamos as emissões porque não têm”, mas é verificada a tensão das baterias “para ver se não há passagem de corrente para a carroçaria”.
Para já, “ainda há poucos veículos a circular, uma vez que apenas nos últimos dois anos começou a ter algum peso a venda de novos híbridos e elétricos”, mas a expectativa é que comecem a chegar mais em “2026, 2027”, quando mais viaturas “entrarem em parque inspecionável”, concluiu Pedro Dias.
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