Instituto Ricardo Jorge alerta para testes rápidos ao coronavírus

“Estes testes, quando são utilizados nas pessoas, só detetados IgG ou IgM [anticorpos] entre cerca de sete a dez dias depois da infeção. Não podemos utilizar este tipo de testes como fontes de seleção, para perceber se são positivos ou negativos”, disse Fernando Almeida, do INSA.

José Sena Goulão / Lusa

O presidente do conselho diretivo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) alertou esta quinta-feira para a realização de testes rápidos ao novo coronavírus, explicando que este tipo de avaliação da doença Covid-19 são “bons” mas têm critérios muito específicos de utilização.

“Tem havido sempre a tendência e a tentação de se avançar para testes rápidos. O INSA tem sido bastante ponderado e tem aconselhado o Ministério da Saúde e a Direação-Geral de Saúde [DGS] na utilização deste tipo de testes. Os testes recomendados pela Organização Mundial de Saúde são os clássicos PCR em tempo real, para identificar com clareza o gene e o vírus”, afirmou Fernando Almeida, em conferência de imprensa.

O responsável do INSA salientou que os chamados “testes rápidos” não têm o parecer positivo nem deste instituto nem do Infarmed. “Estes testes, quando são utilizados nas pessoas, só são detetados IgG ou IgM [anticorpos] entre cerca de sete a dez dias depois da infeção. Não podemos utilizar este tipo de testes como fontes de seleção, para perceber se são positivos ou negativos. Serão claramente muito válidos para uma fase subsequente para percebermos o nível de imunidade da população portuguesa ao coronavírus”, adiantou aos jornalistas.

Ou seja, segundo o Instituto Ricardo Jorge, se o objetivo for fazer um estudo de sequenciação e de identificação do gene para um diagnóstico rápido deve recorrer-se aos testes PCR em tempo real. No caso de se querer usar os testes rápidos, de base celulógica, para identificar os anticorpos que as pessoas desenvolvem ao contacto com a infeção, é necessário haver um critério rigoroso.

Portugal regista 3.544 doentes de Covid-19 e 60 vítimas mortais, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) enviado ao final desta manhã. Houve, assim, mais 549 casos confirmados em 24 horas, ainda que 2.145 pessoas continuem a aguardar os resultados laboratoriais. O país encontra-se numa fase de mitigação do novo coronavírus, que é a terceira e a mais grave fase de resposta a esta pandemia e é ativada quando há transmissão local da doença, em ambiente fechado, e/ou transmissão comunitária.

Recomendadas

Diabéticos pedem a António Costa que os inclua no regime especial

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal escreveu ao primeiro-ministro pedindo-lhe que alargue o regime de proteção especial às pessoas com doença crónica e mais de 60 anos de idade.

Covid-19. Portugal com 209 mortes e 9.034 casos confirmados

Os dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) indicam a existência de 9.034 casos confirmados e 209 mortes. O número de casos recuperados em Portugal aumentou para 68.

Rui Rio diz que lucros na banca serão “uma vergonha e uma ingratidão” e assegura voto favorável no Estado de Emergência

Líder social-democrata apelou ao “bom-senso” dos bancos, recordando que dependem da sobrevivência das empresas para sobreviverem também.
Comentários