Inteligência Artificial: ‘in or out’?

Porque não trabalhamos juntos e assinalamos no mapa a prestação de serviços jurídicos “made in Portugal”?

Quando António Costa apresentou o programa 20/30, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), muitos incumbentes não viram mais do que uma oportunidade política para embelezar as comemorações do dia de Portugal nos EUA. Outros, menos incumbentes, perceberam que este programa de implementação de inteligência artificial – através de parcerias entre o MIT e as nossas universidades – poderia representar uma oportunidade muito superior ao anunciado investimento de 120 milhões de euros.

Esta luta entre incumbentes e jovens empreendedores assemelha-se àquela travada entre David e Golias. Hoje a Uber é uma realidade e os que não viram o seu surgimento – no silêncio – foram apanhados na rede; ou fazem igual ou morrem. Há que entender que os clientes se habituam a serviços que se centram na sua experiência.

Aquelas empresas bem instaladas, com grandes sistemas de comunicação interna, foram ultrapassadas. Não souberam reagir. Enquanto, de um lado, o CEO de uma incumbente pede à colaboradora para o assistir numa chamada internacional – através de um sistema ultrassofisticado (tão sofisticado que nem ele sabia ligar) e instalado na grande mesa da sala de reuniões –, dois jovens, em lados opostos do mundo, fecham um negócio por Skype cujas regras contratuais seriam sustentadas em Blockchain. E esta é a deixa para o tema da advocacia, não fosse a tecnologia Blockchain o fim de muitos contratos e de faturações preciosas para advogados relaxados.

A indústria legal portuguesa tem uma mão-cheia de incumbentes que ainda não perceberam que existem dezenas de jovens advogados interessados em saber mais acerca do tal acordo com o MIT; a outra mão, por seu turno, está a abarrotar de empreendedores portugueses que nela habitam dentro dos muros das maiores empresas tecnológicas do planeta. Por que razão incomodo os leitores com este tema? Porque para além de demasiado incumbentes, estes personagens são também demasiado distraídos.

A nossa indústria (legal) é tão curta que as oportunidades para os próximos anos são arrepiantes. Ao invés de os incumbentes tentarem derrubar os empreendedores, porque não se apoiam nos seus ombros? Porque não trabalhamos juntos e assinalamos no mapa a prestação de serviços jurídicos made in Portugal?

O mercado dos serviços jurídicos em Inglaterra representa 1,9% do PIB daquele país e vale aproximadamente 25,5 mil milhões de libras. Há quase 100 mil advogados e outros tantos auxiliares. Em Portugal não existem, sequer, dados fiáveis – pois ainda se enquadram os serviços jurídicos com os de arquitetura, contabilidade e outros. Mas a equação é muito simples. Valeremos, todos juntos, 500 milhões? Talvez os gigantes da indústria legal portuguesa venham, a médio prazo, a chamar- se David e não Golias, e possam estar convictos na “Mensagem” de Fernando Pessoa.

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