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Inteligência Artificial “terá impacto no emprego” marítimo-portuário

O futuro do ‘shipment’ passa pela inteligência artificial e o líder dos agentes de navegação acredita que há trabalhadores que vão ficar pelo caminho. Sobre as tarifas de Trump, vê efeitos apenas a curto prazo.
8 Novembro 2025, 16h00

O presidente da Associação Portuguesa dos Agentes de Navegação (AGEPOR) acredita que a inteligência artificial “terá impacto no emprego” do setor marítimo-portuário e que “não vai ser absorvida toda a mão de obra na nova economia”.

“Há toda uma geração que vai ficar no meio” da transição, “que não chega lá”, antecipa o líder da AGEPOR em entrevista ao Jornal Económico.

“Hoje em dia, quem não perceber o que é inteligência artificial, quem não trabalhe com esse esquema na cabeça, está ultrapassado e não vai cá ficar”, avisa António Belmar da Costa, que diz ver nesta tecnologia “uma oportunidade” para “libertar tempo”, levando os trabalhadores a “fazer coisas que a inteligência artificial ainda não faz ou não fará”. O responsável não tem dúvidas, por exemplo, de que haverá automatização dos navios, “tal como acontecerá com os automóveis — é uma questão de tempo”. E o mesmo se verifica nos terminais. “Os estivadores vão deixar de andar a carregar, como já deixam hoje em dia, já não precisam”.

Tarifas “não são um drama”

Na lista de preocupações de António Belmar da Costa, a imprevisibilidade internacional surge em destaque, porque “é claramente o maior desafio” neste momento, com reflexo no setor dos agentes de navegação. “Um mês muito bom, outro mês muito mau”, lamenta o líder da AGEPOR. “Não conseguimos programar para daqui a um ano ou dois”.

“O que se passa na Ucrânia, o que se passa no Médio Oriente e a política proteccionista com efeito nas tarifas [alfandegárias], essencialmente entre China e Estados Unidos, são os grandes fatores de instabilidade. No entanto, “otimista por natureza”, António Belmar da Costa acredita que todos esses problemas acabarão por ser ultrapassados, dando origem a “um ‘boom’ como há muito tempo o mundo não vivia” e a um “desenvolvimento enorme das economias”. É uma questão de “como e quando”, afirma o presidente da AGEPOR, embora admitindo que a enorme imprevisibilidade possa fazer “andar tudo para trás”.

No caso da guerra comercial, António Belmar da Costa entende que, a curto prazo, “obviamente tem consequências nos países altamente exportadores para os Estados Unidos, que viram as tarifas aumentarem muitíssimo de repente”, o que “vai significar aumentos no utilizador final, tanto na importação como na exportação”.

Contudo, o responsável não acredita em impactos mais duradouros. “Julgo que a tendência vai ser uma revisão em baixa” das tarifas a aplicar de parte a parte “e que não vai ser isso a prejudicar gravemente o comércio global”, afirma. “Espero que haja alguns ajustes, mas não acho que vá ser o drama que toda a gente diz que vai ser. Estou a falar no médio prazo, não no curto prazo”, ressalva Belmar da Costa, que vê no aumento de tarifas “um instrumento usado por Trump para mostrar que os Estados Unidos tinham de dizer basta ao mundo”.

“Contrariamente ao que a grande maioria diz, acho que é preciso haver alguma equidade nas tarifas. Também não podia ser como era antigamente: os Estados Unidos eram um pouco a vaca leiteira do mundo”, atira Belmar da Costa.


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