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Investimento em Data Centers? “A estratégia de investimento da Corum é agnóstica nos diversos setores”

Os fundos Corum Origin e Corum XL, geridos pela Corum, fecharam setembro com quatro aquisições de imóveis em França, Irlanda e Reino Unido, totalizando um investimento de 228 milhões de euros. Em entrevista Marcelo Capitão admite aumentar o portfólio de imóveis atualmente de 20. “Estamos permanentemente a analisar o mercado e se houver oportunidades não deixaremos de as considerar”, diz.
13 Novembro 2025, 07h00

Marcelo Capitão, Diretor da Corum Portugal, que gere fundos imobiliários que investem em imóveis comerciais (como grandes superfícies) e em que os particulares podem investir. Os fundos Corum Origin e Corum XL, geridos pela Corum, fecharam setembro com quatro aquisições de imóveis em França, Irlanda e Reino Unido, totalizando um investimento de 228 milhões de euros.  Numa altura em que a Comissão Europeia prepara a União da Poupança e Investimento – para melhorar a forma como o sistema financeiro da UE canaliza as poupanças para investimentos produtivos, e para ampliar as fontes de financiamento disponíveis para as empresas e os cidadãos, os fundos da Corum ambicionam ser uma alternativa aos depósitos a prazo na Europa, revelou Marcelo Capitão na entrevista para a rubrica semanal “O Decisor da semana”.

Numa altura em que a União Europeia prepara uma União da Poupança e Investimento – para melhorar a forma como o sistema financeiro da UE canaliza as poupanças para investimentos produtivos, e para ampliar as fontes de financiamento disponíveis para as empresas e os cidadãos – que papel podem ter os fundos imobiliários da Corum nesta estratégia europeia?

Os fundos imobiliários da Corum oferecem em Portugal uma forma de poupança que tem décadas em França, um país com tradição na poupança e que não existiam em Portugal.

Para a competitividade da União Europeia é fundamental estimular a poupança e, simultaneamente, dar as condições para que essa poupança possa ser aplicada também no espaço europeu, ao invés de ser – como acontece – canalizada para mercados como o americano. É fundamental que sendo um espaço único, também o seja em termos de Poupança e Investimento, harmonizando regras e anulando barreiras fiscais que constituem um dos principais obstáculos. Não faz sentido termos uma zona monetária comum e depois não haver harmonização de regras quer na poupança quer no investimento.

Segundo um estudo vosso Portugal é o único país da Zona Euro onde os depósitos representam mais de 20% das poupanças das famílias. Defende uma nova forma de poupar? Estes fundos são uma boa alternativa aos depósitos a prazo? Porquê? 

Há alguns fatores que contribuem para uma pobre diversificação de poupança em Portugal. Em primeiro lugar é o conservadorismo que nos caracteriza. Somos, neste momento, uma sociedade que tem aversão ao risco. Por outro lado, a iliteracia financeira subsiste, sendo o desconhecimento das alternativas também um fator de bloqueio.

No caso concreto dos fundos Corum, apesar de ser uma forma de investimento que os portugueses conhecem bem – imobiliário – o facto de serem fundos, cria de imediato alguma desconfiança no aforrador, não fazendo diferença entre as várias tipologias de fundos que existem e que têm perfis de risco e exposições a diferentes tipos de ativos.

Os fundos Corum constituem uma alternativa a considerar aos depósitos a prazo, tendo em conta que são produtos de poupança (em França o tempo de permanência nestes fundos é superior a 25 anos em média), que apresentam consistentemente ao longo dos anos boas taxas de rentabilidade e que remuneram mensalmente os seus acionistas. Os fundos investem apenas em imobiliário comercial e apresentam uma estratégia de diversificação geográfica e setorial, de modo a reduzir o risco potencial do investimento.

Quais são as rentabilidades dos fundos? Quem pode investir? Qual o valor mínimo para aplicar o dinheiro nos fundos e de que forma se pode fazer?  

Os fundos comercializados em Portugal apresentam uma taxa interna de rentabilidade (TIR) que varia entre os 4,15% a 5 anos do Corum XL e os  6,74% de TIR a 10 anos no caso do Corum Origin. O terceiro fundo que disponibilizamos no nosso mercado, o Corum Eurion, tem uma TIR de 6,36% a 5 anos.

O valor mínimo de investimento que já inclui as taxas aplicáveis e a comissão de subscrição é de 195 euros por ação no Corum XL, de 1.135 euros no Corum Origin e 215 euros no Corum Eurion, este último um fundo ESG.
Os pequenos aforradores podem também optar por subscrições mensais por débito direto de frações de valores que acumulados se traduzem na aquisição de ações dos diversos fundos. O pagamento de dividendos é mensal, sendo que, sempre que existem transações de ativos (associados a mais valias) geram um dividendo extraordinário também pago aos acionistas dos fundos.

Tinha anunciado que os fundos imobiliários Corum iam ser distribuídos nos balcões dos bancos. Como é que ficou esse projeto? 

É um processo que tem sido complexo, dada a especificidade dos nossos fundos, mas continuamos apostados em disponibilizar aos portugueses esta forma de poupança no importante canal bancário.

A UE disse que quer canalizar até 10 biliões de euros de depósitos bancários em todo o bloco para investimentos estratégicos muito necessários. Está optimista em relação à introdução na Europa de contas poupança investimento?  

É fundamental, em primeiro lugar, que esta discussão exista, o que não aconteceu no passado. O que tem acontecido até agora é a canalização de uma boa parte da poupança europeia para outros mercados, nomeadamente, para o mercado americano, o que se traduz numa maior liquidez e disponibilidade para os investimentos daquela economia. Se conseguirmos estancar este fluxo, os atores económicos europeus terão acesso de forma mais abundante a estes fundos.

Os fundos da Corum podem fazer parte da panóplia de aplicações dessas contas que a UE prevê que sejam criadas?

O setor imobiliário comercial envolve uma grande variedade de setores, desde a logística, à hotelaria, infraestruturas de saúde, retalho, etc. pelo que faz sentido que os fundos imobiliários estejam previstos. É uma canalização de fundos para a economia real europeia, que parece ser o objetivo desta medida.

A Corum, sociedade gestora de origem francesa com um escritório em Lisboa, detém em Portugal 20 móveis, através dos seus fundos Corum Origin, Corum XL e Corum Eurion. Este número está atualizado? Têm investimentos em vista?

Em Portugal detemos 20 imóveis e estamos permanentemente a analisar o mercado. Se houver oportunidades não deixaremos de as considerar.

Os fundos Corum investem apenas em imóveis comerciais e são responsáveis pela sua gestão e arrendamento. É esta estratégia que permite controlar o risco?

Tendo em vista os objetivos de rentabilidade a que nos propomos é fundamental por um lado ser muito criterioso na aquisição de ativos, tendo sempre subjacente uma estratégia de diversificação de risco geográfico e setorial, mas por outro lado gerir os arrendatários, que são quem garante a rendibilidade de cada imóvel que, depois, é distribuído pelos acionistas dos fundos. Mais de 95% dos ativos estão ocupados e os arrendatários são empresas consideradas sólidas. A gestão é 100% Corum, contando para tal com 7 escritórios na Europa.

Em Portugal quantos clientes (investidores nos três fundos) têm? Têm perspectivas de crescer a base de clientes? 

Tendo em conta que os fundos estão disponíveis nos diversos mercados onde estamos presentes, neste momento o número de acionistas já ultrapassa os 140 mil. Em Portugal, onde estamos desde 2019, temos vindo sistematicamente a crescer de forma consistente.

Qual a percentagem de clientes particulares versus institucionais nos fundos em Portugal?

Não temos a divisão de acionistas por tipificação. A diferença está sobretudo no montante investido. Os institucionais tendem a fazer investimentos de maior volume, e os particulares investimentos mais granulares.

Qual o montante que a Corum tem sob gestão? 

A Corum tem sob gestão cerca de 9,5 mil milhões de euros nas suas duas tipologias de fundos: imobiliário e obrigações.

Está presente em mercados? Admitem expandir para outras geografias? 

A Corum detém ativos em 18 países, contando com 7 escritórios na Europa, incluindo Lisboa.

Estão disponíveis para investir em data centers?

A estratégia de investimento da Corum é agnóstica nos diversos setores. O fundamental é avaliar o preço, rentabilidade e garantia no médio longo prazo desse retorno.

Uma citação em que se reveja?

“Não poupes o que sobra depois de gastares, mas gasta o que sobra depois de poupares” — Warren Buffett.


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