A Worx Real Estate Consultants lançou o WMarket Review Year-end 2025–2026, a sua publicação bianual de Research, que analisa a evolução do imobiliário comercial em Portugal. O estudo inclui o contributo de seis personalidades de referência, entre as quais Mário Centeno, que acrescentam diferentes perspetivas sobre a economia e o mercado imobiliário.
No relatório WMarket Review Year-end 2025–2026, Mário Centeno destaca a estabilidade política e financeira como o maior ativo de Portugal para atrair investimento imobiliário, reforçando a imagem do país como “porto seguro”.
Segundo o mais recente relatório WMarket Review Year-end 2025–2026, publicado pela Worx Real Estate Consultants, o volume de investimento poderá regressar à fasquia dos 3 mil milhões de euros já em 2026.
O estudo aponta assim para um cenário de maior confiança em 2026, após um ano marcado pela resiliência do mercado.
Este otimismo fundamenta-se na resiliência demonstrada pelo setor em 2025, ano em que o país atraiu mais de 2.750 milhões de euros em transações — um crescimento homólogo de 14% — consolidando-se como um mercado de refúgio no contexto europeu.
Este desempenho robusto foi sustentado pela estabilidade política nacional e pela estabilização das taxas de juro, fatores que permitiram uma compressão das yields prime na maioria dos segmentos. Pedro Rutkowski, CEO da Worx, sublinha que o capital está a regressar de forma consistente, destacando que Portugal apresentou uma das melhores performances internacionais num quadro de incerteza geopolítica global.
No segmento de escritórios, a tendência é de valorização através da qualidade. Embora o volume de absorção na Grande Lisboa tenha registado uma ligeira quebra de 8% em 2025 (situando-se nos 204.200 m²), as rendas continuam em trajetória ascendente.
A Worx prevê que a renda prime na capital supere os 35,0 euros por m²/mês em 2026, impulsionada pela procura de edifícios com certificações de sustentabilidade e pela escassez de oferta de nova geração em zonas como o CBD e o Parque das Nações.
Já o retalho vive um momento de exceção, com Portugal a registar o maior aumento de vendas do setor na Europa. A recuperação do consumo interno e a pujança do turismo elevaram as rendas para níveis recorde, ultrapassando os valores pré-pandemia. O comércio de rua em Lisboa atinge agora os 145 euros por m², reafirmando o retalho como um dos pilares mais sólidos do ecossistema imobiliário nacional.
Logística, Hotelaria e a Nova Fronteira Residencial
O setor industrial e logístico, após um ajuste natural na procura em 2025, prepara-se para uma retoma em 2026. Este crescimento será alimentado por fenómenos de nearshoring e novos investimentos no setor da defesa, mantendo a pressão positiva nas rendas devido à importância da logística de proximidade (last mile). No setor do turismo, embora os proveitos tenham crescido 7% em 2025 (atingindo os 7,15 mil milhões de euros), a consultora antecipa que o ritmo de crescimento possa ser mais moderado em 2026, condicionado pelo contexto macroeconómico.
No setor residencial, a valorização continua a ser a palavra de ordem, com Lisboa e Porto a registarem subidas de preços de dois dígitos (10% e 13%, respetivamente). A grande expectativa para 2026 reside no desenvolvimento do mercado de arrendamento institucional de larga escala (PRS – Private Rented Sector), que poderá finalmente ganhar escala em Portugal graças a novas medidas governamentais para o setor da habitação.
Os mercados residenciais das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto mantiveram um desempenho positivo. Em Lisboa, venderam-se 9.310 apartamentos em 2025, a um valor médio de 5.200 euros por m², 10% acima do valor de venda de 2024. Na cidade do Porto, venderam-se 5.460 apartamentos em 2025, a um valor médio de 3.810 euros/m², representando um aumento homólogo de 13% no valor de venda.
Tendências
Em 2026, o mercado continuará a beneficiar de níveis de procura sustentados, com impacto direto na evolução positiva dos preços. Adicionalmente, as medidas anunciadas no setor da habitação poderão criar condições favoráveis ao desenvolvimento do mercado de arrendamento institucional de larga escala (PRS – Private Rented Sector ou Multifamily), há muito aguardado pelos players do setor, diz a Worx.
Para além dos números, o WMarket Review identifica macro tendências que estão a redesenhar as cidades. A integração da Inteligência Artificial na gestão de edifícios e a hibridização de usos — espaços versáteis que respondem em tempo real às necessidades humanas — são os vetores da transformação urbana para os próximos anos.
Num ciclo de maior seletividade, a Worx reforça que o sucesso do investimento dependerá da capacidade dos ativos em oferecerem uma experiência humana diferenciadora e integrada na digitalização global.
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