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Investir em Inteligência Artificial? Cautelas e caldos de galinha…

Gestora de ativos de banco de Wall Street aconselha cautela nos investimentos em ações de IA, acreditando que a vaga vai demorar a materializar-se.
27 Janeiro 2026, 12h44

Só se fala da febre da Inteligência Artificial (IA). É o tema do momento, tanto que já se fala em ‘bolha’ de IA, com o risco de rebentar a qualquer momento.

No meio de tanta excitação, há quem recomende cautela nos investimentos nas ações relacionadas com a IA.

A gestora de ativos do banco norte-americano JP Morgan acredita no potencial da IA, mas só lá mais para a frente.

“A IA veio para ficar, com ganhos de produtividade. Vai ser um setor muito relevante, mas vai tardar em materializar-se. Há que saber diferenciar muito bem os ganhadores dos perdedores”, disse esta terça-feira Elena Domecq, responsável ibérica do JP Morgan AM.

“Do ponto de vista de investimento [compra de ações], há que ser muito seletivo, somente se se justificar em termos de benefícios. Vamos estar dependentes da procura, ainda não vimos como todos os setores [vão reagir]. Vai tardar”, acrescentou a gestora numa chamada com jornalistas.

Destacando que existe uma “perspetiva positiva” para a IA, de que “vai mudar a forma como fazemos tudo”, incluindo ganhos de produtividade. “Gostamos do setor, mas é preciso ser muito seletivo. Nem todas as companhias vão acabar por ser ganhadoras”.

Elena Domecq destacou que importa saber se “todo o investimento se justifica” por parte das companhias em IA. E que também é crucial saber “qual vai ser a procura de IA por parte de outros setores”.

As grandes tecnológicas anunciaram em 2025 que iriam gastar 350 mil milhões de dólares em infraestrutura para apoiar a IA, mais 60% face a 2024, que também já tinha crescido outros 60% face a 2023, destaca a JP Morgan AM.

A própria Nvidia já tinha sinalizado que os custos anuais em IA podem atingir 3 a 4 biliões de dólares até ao final da década.

O ChatGPT detém o recorde entre as tecnologias por ter atingido 100 milhões de utilizadores em apenas dois meses. Pulverizando os recordes do TikTok (nove meses) ou do Instagram (2 anos).

E quais os desafios pela frente? As tecnológicas que dominam os motores de busca receiam perder mercado com o uso de chatbots de IA; os produtores de telemóveis questionam a relevância dos seus aparelhos num mundo dominado pela AI; os líderes da cloud devem expandir infraestruturas para dar resposta à procura ou arriscam-se a perder quota de mercado.


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