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Irão: EUA pondera intervenção terrestre na ilha de Kharg

Estados Unidos avaliam reforço militar no Médio Oriente enquanto a guerra com o Irão entra numa possível nova fase. Mas a Casa Branca hesita, dado que os custos operacionais podem ser elevados.
Irão Guerra
EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
19 Março 2026, 09h06

A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, está a considerar o envio de milhares de soldados para reforçar a sua operação no Médio Oriente, abrindo uma nova fase da campanha contra o Irão, adianta a agência Reuters. A intenção é aumentar o leque de opções no quadro da continuação do conflito. E essas opções incluem garantir a passagem segura para petroleiros pelo Estreito de Ormuz, uma missão que seria realizada principalmente por meio de forças aéreas e navais. Mas garantir o Estreito também pode significar o envio de tropas norte-americanas para a costa do Irão, algo que, até agora, não estava no plano dos norte-americanos.

A administração Trump também discutiu opções para enviar forças terrestres à ilha iraniana de Kharg, centro de 90% das exportações de petróleo. Mas a operação seria muito arriscada, uma vez que o Irão tem a capacidade de alcançar a ilha com mísseis e drones. Os Estados Unidos realizaram ataques contra alvos militares na ilha em 13 de março e Trump ameaçou também atacar as infraestruturas de petróleo ali construídas. No entanto, dado o seu papel vital na economia iraniana, controlar a ilha provavelmente seria visto como uma opção melhor do que a sua destruição, dizem especialistas militares citados pela Reuters.

Qualquer uso de tropas terrestres norte-americanas – mesmo para uma missão limitada – pode representar riscos políticos significativos para Trump, dado o baixo apoio do país à campanha no Irão e as promessas de campanha de Trump de evitar envolver-se em novos conflitos no Médio Oriente.

Oficialmente, a resposta da Casa Branca é que “o Presidente está focado em alcançar todos os objetivos definidos da Operação Fúria Épica: destruir a capacidade de mísseis balísticos do Irão, aniquilar a sua marinha, garantir que os seus proxies terroristas não desestabilizem a região e garantir que o Irão nunca possa possuir uma arma nuclear.” O Pentágono recusou-se a comentar.

Os EUA realizaram mais de 7.800 ataques desde o início da guerra em 28 de fevereiro e danificaram ou destruíram mais de 120 embarcações iranianas, segundo informações divulgadas pelo Comando Central dos EUA, que supervisiona os cerca de 50 mil soldados norte-americanos colocados no Médio Oriente. Um Grupo Anfíbio de Prontidão pode ser deslocado para a região na próxima semana.


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