A Agência Internacional de Energia (AIE) realizou uma reunião extraordinária para discutir a possibilidade de usar reservas estratégicas de petróleo para conter a alta dos preços devido à guerra no Médio Oriente, mas terminou o encontro sem qualquer anúncio.
Esta reunião, convocada na sede da AIE, em Paris, hoje, tinha como objetivo “avaliar a segurança do abastecimento e as condições do mercado”, afirmou Fatih Birol, diretor executivo.
Permitiria “esclarecer uma decisão posterior” sobre “a eventual disponibilização das reservas de emergência dos países membros da AIE no mercado”, precisou o chefe da Agência de Energia da OCDE, antes do início da reunião, citado pela agência AFP.
“Pedimos à Agência Internacional de Energia que comece a trabalhar em cenários” e dados sobre as reservas, a fim de eventualmente “começar a trabalhar nas quantidades [de petróleo que poderiam ser libertadas”, tinha indicado anteriormente o ministro da Economia francês, Roland Lescure.
O ministro falou após uma reunião em Paris dos ministros da Energia do G7. Essa reunião permitiu examinar “a situação internacional e, naturalmente, as dificuldades que surgem com o encerramento do estreito de Ormuz”, indicou o ministro italiano do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin.
Acrescentou que “os países se comprometeram a demonstrar solidariedade, utilizando as reservas de armazenamento para compensar a falta de disponibilidade a nível mundial”.
Na véspera, os ministros das Finanças do G7, sob a presidência francesa, chegaram a acordo “sobre o princípio de utilizar todos os instrumentos” à sua disposição para “estabilizar os mercados, incluindo a utilização de reservas estratégicas”, segundo Roland Lescure.
Questionado à margem da cimeira sobre energia nuclear civil, que decorria ao mesmo tempo nos arredores da capital francesa, Roland Lescure garantiu que não há problemas de abastecimento na América do Norte e na Europa, ao contrário da Ásia, muito exposta ao petróleo proveniente do estreito de Ormuz.
De acordo com a AIE, a situação nos mercados petrolíferos “deteriorou-se nos últimos dias”, com as dificuldades de trânsito no estreito de Ormuz e uma parte significativa da produção petrolífera a ser reduzida.
Em 2025, as reservas mundiais observadas atingiram mais de 8,2 mil milhões de barris, constituindo uma “importante almofada de segurança face a eventuais perturbações”, segundo a AIE. O planeta consome cerca de 100 milhões de barris de petróleo por dia.
Os preços do petróleo bruto sofreram fortes flutuações devido às perturbações no abastecimento, subindo na segunda-feira 30% para quase 120 dólares por barril, antes de recuarem após uma declaração de Donald Trump afirmando que a guerra com o Irão estava “quase” terminada.
Mas os riscos persistem. Teerão disse hoje que nenhuma gota de petróleo sairia do Médio Oriente “até nova ordem”.
Desde a guerra lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, a República Islâmica riposta visando, em particular, as infraestruturas energéticas.
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