Israel: acordos diplomáticos não favorecem Netanyahu

Apesar do aparato, o acordo entre Israel, Emiratos Árabes Unidos e Bahrein não está a alavancar o primeiro-ministro, que continua a arriscar eleições antecipadas. O ‘colega’ de coligação, Benjamin Guntz, está ainda pior.

REUTERS/Dan Balilty

Uma sondagem acabada de publicar mostrou que o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu não conseguiu obter nenhum aumento significativo de popularidade com a recente assinatura de acordos com dois Estados árabes. Netanyahu tem contra si uma parte da direita mais radical, que aparentemente não se revê nos acordos, mas também uma reação mais generalizada contra a forma como o governo está a lidar com a pandemia.

A sondagem, da responsabilidade do Channel 13 News, afirma que o partido Likud, de Netanyahu, lidera as intenções de votos, podendo atingir os 30 lugares, seis a menos do que sustenta atualmente, e em paridade com outras sondagens nos últimos dois meses – o que implica uma reação pouco calorosa aos acordos com os Emiratos Árabes Unidos e o Bahrein.

A sondagem indica ainda que o partido de extrema direita Yamina chegaria aos 22 assentos, continuando uma tendência de crescimento observada nos últimos meses, desde que um dos seus líderes, Naftali Bennett, criticou o primeiro-ministro pela forma como está a combater a crise do coronavírus. O partido detém atualmente apenas cinco cadeiras no Knesset, o parlamento israelita.

Já o partido do centro Yesh Atid, liderado pelo líder da oposição Yair Lapid, também parece estar a assegurar os ganhos, com 18 cadeiras no Knesset, uma cadeira acima as 17 que ocupa atualmente.

Nenhuma eleição está marcada, ainda, mas as especulações são mais que muitas: várias fações políticas afirmam que o país nãpo escapará a mais uma votação antecipada, a quarta, em alguma altura nos próximos meses, Até porque as desavenças entre Netanyahu e o seu parceiro de coligação, o ministro da Defesa Benny Gantz, da aliança Azul Branca, continuam a marcar a atualidade política do país. Entre elas avulta o caso ainda não solucionado do orçamento de Estado para 2021, que, se não for acordado, determina o derrube automático do governo.

De acordo com a sondagem, o partido Azul Branco de Gantz pode ganhar oito assentos, uma queda de seis das 14 que detém atualmente. Ou seja, a governação em coligação não está a fazer bem ao futuro político de Gantz que, enquanto foi líder da oposição, esteve sempre em alta nas sondagens.

Os outros partidos que podem ganhar assentos numas eleições antecipadas serão a Lista Conjunta, de maioria árabe (12), o ultraortodoxo Shas (7), o Judaísmo da Torá Unida (7), o secular Yisrael Beytenu (8) e o esquerdista Meretz (8). O Partido Trabalhista, o Gesher e o Partido Judaico não chegariam ao limiar mínimo para entrarem no Knesset.

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