Israel: partidos da coligação governamental cada vez mais distantes

O que separa o primeiro-ministro do seu ministro da Defesa é, desta vez, a tentativa de Netanyahu usar a emergência sanitária para impedir uma manifestação contra si marcada para este sábado à noite.

Ronen Zvulun /Reuters

Não haverá por estes dias, em Israel, nenhum assunto que mereça a concordância dos dois partidos que compõem a coligação que governa o país: o Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o Azul Branco do ministro da Defesa Benjamin Gantz. A mais recente das discordâncias públicas teve a ver com a pandemia que grassa no país: Netanyahu pondera usas os regulamentos sobre a emergência sanitária para limitar os protestos de que tem sido alvo (principalmente pela forma como tem enfrentado a Covd-19) e Gantz está totalmente em desacordo.

O primeiro-ministro está a tentar encontrar uma forma de limitar, através de alterações à lei sobre o estado de emergência, uma manifestação contra si que está prevista para este sábado – e que sendo apenas mais uma, está a ser organizada para ser suficientemente participada para ter profundas consequências políticas.

O jornal diário Haaretz avançava que o gabinete do primeiro-ministro está a trabalhar em regulamentos que contornariam o Knesset (o parlamento israelita) e impediriam quase totalmente a manifestação na noite deste sábado.

De acordo com o jornal, os regulamentos de emergência propostos permaneceriam em vigor até terça-feira, após o sábado judaico e o Yom Kippur, quando se esperava que o Knesset pudesse aprovar a legislação para limitar ajuntamentos para protestos e orações.

No entanto, o ministro da Defesa, Benny Gantz, disse que seu partido Azul Branco não apoiaria a possível mudança dos regulamentos de emergência, dizendo que o bloqueio mais rígido, que entrou em vigor às esta sexta-feira, serve para impedir a propagação da pandemia e não para impedir protestos.

“Não permitiremos a ativação de regulamentos de emergência contra as manifestações”, disse Gantz num comunicado citados pela comunicação social. “A decisão sobre um bloqueio mais rígido tinha o objetivo de conter a epidemia e não de bloquear manifestações ou orações”, disse.

Ainda de acordo com o Haaretz, o procurador-geral da república, Avichai Mandelblit, também expressou a sua oposição à aprovação de novos protocolos de emergência com o objetivo de limitar os protestos. Mandelblit falou com Netanyahu na manhã desta sexta-feira para lhe dar a conhecer as suas objeções, acrescentando esperar que as novas medida sejam anulada pelos tribunais.

Os críticos dizem que o amplo confinamento nacional que entrou em vigor às 14h00 (locais) desta sexta-feira é desnecessariamente severo porque Netanyahu está a usar a pandemia para limitar os protestos contra si.

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