Itália revê em alta projeções macroeconómicas e antecipa queda de 9% do PIB em 2020

O mesmo acontece em relação ao aumento da dívida pública para números entre os 158 e 159% do Produto Interno Bruto, depois de ter sido antecipado um cenário de 155,7% no início do segundo trimestre deste ano, por parte do governo transalpino.

Giuseppe Conte

O governo italiano está a ultimar a atualização das projeções macroeconómicas de 2020, antecipando uma queda de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) e um aumento da dívida pública para entre 158% e 159%.

A atualização do quadro macroeconómico, que servirá de base à elaboração do Orçamento do Estado e do plano de reformas a abranger no Fundo Europeu de Recuperação, deve ser apresentada ao parlamento no próximo dia 27 e, segundo os meios de comunicação social italianos, vai conter alterações em relação aos cálculos efetuados em abril.

O executivo transalpino está a considerar uma queda de 9% na economia em 2020, uma revisão em alta face aos 8% estimados em abril; o mesmo acontece em relação ao aumento da dívida pública para números entre os 158 e 159% do PIB, depois de ter sido antecipado um cenário de 155,7% no início do segundo trimestre deste ano.

No entanto, o quadro poderá até ser mais negativo para a situação do país, com o ministro da Economia, Roberto Gualtieri, a assumir nas últimas semanas que o défice poderia saltar para cerca de 11%, em consequência dos sucessivos pacotes de estímulo financeiro aprovados por Roma para enfrentar a crise provocada pela pandemia de covid-19.

Após a apresentação das previsões de 2020, segue-se a elaboração do Orçamento e o plano de reformas a enviar para a Comissão Europeia até ao final de outubro, de forma a poder receber no primeiro semestre do próximo ano cerca de 10% dos mais de 200 mil milhões de euros que cabem a Itália no Fundo Europeu de Recuperação, dotado de 750 mil milhões no total.

O governo liderado por Giuseppe Conte prepara um plano orçamental que incluirá intervenções no valor de 25 a 30 mil milhões de euros, metade dos quais serão provenientes dos fundos europeus.

Itália foi um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19, ao ser a primeira nação europeia a tornar-se no foco de propagação da doença provocada pelo novo coronavírus. De acordo com os dados mais recentes, Itália continua a ser o segundo país com mais mortes (35.668), a seguir ao Reino Unido, e o quarto com mais casos (cerca de 295 mil), atrás apenas de Espanha, França e Reino Unido.

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