Italianos do Unicredit ponderam OPA sobre o alemão Commerzbank

Interesse dos italianos é antigo, mas está agora dependente da possível operação de fusão entre o Commerzbank e o Deutsche. Se esta operação, falhar, o Unicredit pode avançar – se o governo alemão estiver de acordo.

O banco italiano Unicredit pode estar a preparar o lançamento de uma OPA sobre o banco alemão Commerzbank em caso de fracasso das negociações para uma fusão entre esta última instituição e o Deutsche Bank, também alemão. A fusão, anunciada há poucas semanas – e que levaria à criação de um mega-banco alemão  – parece estar envolta num crescendo de dificuldades, de acordo com o jornal “Financial Times”.

“ O caminho para nós é claro”, disse uma fonte próxima do banco italiano ao jornal. O mercado não ignora estes rumores e o Unicredit cede em bolsa ao longo do dia de hoje, enquanto o Commerzbank avança mais de 3%.

Há anos que UniCredit está interessado ​no Commerzbank e há dois anos tinha contactos com representantes do banco alemã para estudar a fusão entre ambos, mas o banco italiano acabou por não avançar com qualquer proposta – em parte pela oposição política na Alemanha às fusões transfronteiriças no sector bancário.

De acordo com fontes citadas pelo “Financial Times”, a estratégia do Unicredit pode passar por tomar uma participação significativa no Commerzbank, cuja capitalização de mercado é de cerca de 9 mil milhões de euros, para depois avançar para a fusão com a HypoVereinsbank (HVB), filial alemã do banco italiano.

A entidade a surgir desta operação manteria a sua sede na Alemanha, enquanto o Unicredit permaneceria domiciliado e cotado em Milão – para sossego das autoridades alemãs. Da mesma forma, o Commerzbank manteria um free float de ações listadas na Bolsa de Valores de Frankfurt. “A operação faria sentido para a Alemanha”, disse uma outra fonte, acrescentando que “pode ​​ser apresentado como um líder nacional na Alemanha”.

Uma eventual fusão entre o HVB e o Commerzbank tem mais sentido do ponto de vista comercial, uma vez que os negócios das duas entidades são “complementares”: a filial do Unicredit tem 447 escritórios, principalmente na Baviera e Baden-Württemberg, enquanto as mil sucursais do Commerzbank estão espalhadas por todo o país, resultando num maior grau de sobreposição com os negócios do Deutsche Bank.

No próximo dia 9 de abril, em princípio, o Commerzbank decidirá se vai ou não prosseguir com a fusão com o Deutsche Bank. Qualquer potencial acordo entre o Unicredit e o Commerzbank precisaria da aprovação do governo alemão, que controla 15% da segunda maior entidade alemã.

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Politicamente, a Alemanha quer um banco forte que seja capaz de concorrer na cena internacional com as grandes instituições bancárias, leia-se, a banca norte-americana. A fusão poderá traduzir-se numa justificação política para as perdas devido à reestruturação dos dois bancos.
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