O governo japonês diz-se preparado para tomar medidas contra a desvalorização do iene, divisa local que tem vindo a perder gás contra o dólar ou o euro, considerando que esta tendência de queda aparenta estar desligada dos princípios de mercado. Este foi o aviso mais musculado até à data de possíveis intervenções para sustentar a moeda.
A ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, afirmou em conferência de imprensa esta terça-feira que o governo local tem “mão livre” para abordar os movimentos excessivos de mercado em torno do iene, garantindo que os responsáveis japoneses tudo farão para suportar a divisa face ao que aparenta ser especulação.
“As mexidas decididamente não refletem os princípios fundamentais de mercado”, considera a ministra.
O iene tem-se aproximado de mínimos de vários anos nas últimas sessões, continuando a perder terreno apesar da subida dos juros pelo banco central japonês na semana passada. A taxa de referência está em 0,75%, um máximo desde 1995, mas nem assim a moeda nipónica valorizou contra o dólar.
Apesar deste pico nos juros japoneses, o diferencial para as taxas nos EUA ou na zona euro continua a ser considerável, contribuindo para a desvalorização da moeda.
Esta tendência de queda tem agravado a dinâmica da inflação no país, tornando as importações comparativamente mais caras e erodindo o poder de compra da população.
Após as declarações, o par cambial iene-dólar caiu ligeiramente: de valores próximos de 158, o câmbio desceu para 156,4, afastando-se dos máximos recentes de quase 162 ienes por dólares fixados no ano passado.
Os comentários de Katayama ficam em linha com os feitos no dia anterior em entrevista à Bloomberg, onde já havia falado na predisposição do governo para tomar medidas contra as oscilações que o iene tem vivido.
No mesmo dia também havia surgido um aviso pelo vice-ministro das Finanças para os Assuntos Internacionais, Atsushi Mimura, o responsável pela política cambial do país. Mimura mostrou-se “muito preocupado” com as flutuações de mercado do iene e frisou que os responsáveis políticos japoneses estão “preparados para tomar ações contra movimentos exagerados”, um sinal da mais agressividade monetária que procuram mostrar.
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