Javier Tebas: “Receitas televisivas? 42% do valor vem de fora de Espanha”

O presidente da Liga espanhola, Javier Tebas, falou ao Jornal Económico sobre o processo de digitalização ao qual foi sujeita a La Liga. Este dirigente explicou ao JE como a La Liga se tornou um campeonato global com quase metade das receitas televisivas a virem de fora de Espanha.

Cristina Bernardo

O presidente da La Liga esteve na Web Summit para falar de tecnologia e da forma como ‘nuestros hermanos’ estão a utilizar os dados para chegar aos adeptos fora de Espanha. Este caminho foi iniciado há quatro anos e, uma vez iniciado, não há forma de voltar atrás. E quando instado a comentar sobre quem está a ganhar a batalha tecnológica, Javier Tebas não tem dúvidas.

Qual é a importância da tecnologia no mundo do futebol?

É muito importante por vários motivos, mas sobretudo em dois aspetos essenciais: na possibilidade de fazer um rastreamento das movimentações dos jogadores em campo e no treino e otimizar o rendimento dos jogadores, dando ferramentas a treinadores e scouting; por outro lado, a tecnologia dá-nos a possibilidade de estar mais perto do nosso público, dos fãs da Liga espanhola, não só através da televisão e plataformas tradicionais como das redes sociais. É um mundo que está sempre a avançar. A Liga espanhola fomenta a digitalização dos clubes, não só dos gigantes como o Real Madrid e Barcelona, que avançam muito neste sentido, mas também dos outros. Outra questão é que não basta avançar em quantidade, se o engagement não for o mais correto ou o mais eficaz. Que os clubes cresçam neste caminho que a digitalização permite e que passa por uma maior proximidade com os adeptos.

O fan engagement é uma forma de chegar a um público mais jovem, os consumidores do futuro?

Os milenials são a geração que está mais próxima e mais adaptada aquele que é o ambiente digital mas estas tecnologias não servem apenas para captar este público. Há que captar o adepto mas também fidelizá-lo. Estas novas tecnologias dão-nos uma oportunidade absolutamente única que é de perceber o que quer o adepto, como se pode entusiasmá-lo. A experiência que o adepto pode garantir quando assiste a jogos da Liga espanhola é muito diferente daquela que estava disponível há três ou quatro anos.

O que vão perder as ligas que não entenderem essa oportunidade?

Muitíssimo! Temos que entender que o ambiente digital não passa apenas por ter redes sociais, não tem só a ver com o facto de ter, por exemplo, um community manager a falar inglês com os adeptos das Ligas em todo o mundo. O trabalho é constante, é dinâmico e que nunca acaba. Está sobretudo relacionado com a informação que podemos garantir por parte dos adeptos e como podemos usar essa informação para compreender melhor os nossos aficionados garantindo a sua satisfação. É um mundo muito amplo, uma autêntica revolução!

E é também importante captar adeptos de outros países? Os mercados fora de Espanha tornaram-se importantes para a La Liga?

Sim, estamos num mundo global! Para ter uma ideia, das receitas televisivas que arrecadamos, 42% do valor vem de fora de Espanha. Para nós, é muito importante que a nossa Liga seja vista lá fora.

Que vai ganhar a batalha tecnológica: La Liga ou Premier League?

Creio que estamos a ganhar essa batalha! Estamos muito avançados na forma como trabalhamos o nosso produto, no entorno audiovisual que está subjacente a todos os jogos de La Liga. Temos a melhor equipa e a melhor estratégia no âmbito da digitalização. Somos das ligas mais avançadas mesmo quando colocamos nessa equação ligas norte-americanas. Há quatro anos que estamos a trabalhar esta estratégia digital e a partir do momento em que decidimos avançar, nunca mais parámos. Temos uma equipa vastíssima, especialistas em várias áreas e que trabalham todos os dias no sentido de perceber como podemos perceber melhor os nossos adeptos.

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