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JB Capital surpreendido com plano estratégico sobe avaliação do Novobanco para até sete mil milhões

“Devido a estas atualizações e à reclassificação dos bancos ibéricos, o nosso intervalo de avaliação situa-se agora entre os 5,5 mil milhões e os 7,0 mil milhões de euros (contra 4,8 mil milhões a 6,2 mil milhões de euros anteriormente). Apoiamos o foco do Novobanco em equilibrar o crescimento e o retorno para os acionistas”, refere o JB Capital.
7 Março 2025, 13h28

“O novo plano do Novobanco supera as nossas expectativas, elevando a nossa avaliação do anterior intervalo de 4,8 mil milhões de euros a 6,2 mil milhões de euros para o intervalo de 5,5 mil milhões de euros a 7,0 mil milhões de euros”, referem os analistas do banco de investimento JB Capital num research publicado um dia depois do banco ter apresentados resultados e o plano estratégico para os próximos três anos.

O Novobanco divulgou os seus resultados do 4º trimestre de 2024 e atualizou as suas metas de médio prazo. “Estas metas parecem alcançáveis, por isso ajustamos as nossas estimativas para as refletir”, refere o analista Maksym Mishyn.

O JB Capital aumentou em média 8% a sua estimativa de resultados líquidos do Novobanco para o horizonte  de 2025-27.

“Incluímos também os custos adicionais one-off para 2025, o que ajudará o Novobanco a implementar o seu plano de simplificação para manter os custos estáveis ​​nos próximos anos e os custos para o potencial IPO”, refere o banco de investimento.

“Devido a estas atualizações e à reclassificação dos bancos ibéricos, o nosso intervalo de avaliação situa-se agora entre os 5,5 mil milhões e os 7,0 mil milhões de euros (contra 4,8 mil milhões a 6,2 mil milhões de euros anteriormente). Apoiamos o foco do Novobanco em equilibrar o crescimento e o retorno para os acionistas. O crescimento projetado de 3% na carteira de crédito parece razoável, uma vez que se prevê que o PIB nominal de Portugal cresça mais rapidamente. Além disso, a forte rentabilidade do Novobanco (>20% de RoTE a médio prazo a uma taxa de imposto de 18%) deverá permitir-lhe atingir o objetivo de 3,3 mil milhões de euros em capital disponível”, refere o research.

A casa de investimento diz ainda que os resultados do 4º trimestre surpreendem com o aumento da margem financeira e de outras receitas. “A receita da margem aumentou 0,6% no trimestre, uma vez que o que a taxa da margem financeira foi mais resiliente do que esperávamos e manteve-se praticamente estável no período. O banco aumentou a dimensão do seu portefólio ALCO [Ativos e Passivos] em 2,7 mil milhões de euros num ano para 9,5 mil milhões de euros, o que também ajudou a manter a receita de margem estável no trimestre”, lê-se no research.

O crescimento da carteira de crédito acelerou e atingiu 3% em termos anuais, considerando a carteira bruta, o que está em linha com a orientação de médio prazo.

“O crédito líquido cresceu ainda mais rapidamente, 3,6% num ano e 0,4 pp mais do que esperávamos. Além disso, o Novobanco reportou melhores receitas comerciais e outras, que foram parcialmente compensadas por provisões de 57 milhões de euros relacionadas com o plano de eficiência que não considerámos. No geral, o resultado líquido ficou 5% acima das nossas estimativas”, defende o JB Capital.

O banco de investimento considera que o guidance do Novobanco parece alcançável para 2025 e médio prazo. “A meta da administração para 1,4 mil milhões de euros em receitas bancárias em 2025 sugere que devemos ver a normalização da margem financeira, e projetamos um declínio de 8% num ano”.

“Congratulamo-nos com o esforço para reduzir a sensibilidade do balanço do Novobanco, uma vez que se situa atualmente em 6% para uma mudança paralela de 100bps que se compara com 22% em 2021. Isso deve permitir estabilizar a margem financeira e retomar o crescimento à medida que a carteira de empréstimos acelera em direção à meta de 3% CAGR [Taxa composta de crescimento anual], atingindo a meta de médio prazo de ficar acima 1,5 mil milhões de euros na receita bancária”, lê-se na análise.

“O RoTE [rentabilidade] de médio prazo também parece viável e estimamos 22% usando a taxa de imposto normalizada de 18% ajustada para os  ativos por impostos diferidos (DTAs)  – usamos 31% nas nossas estimativas e valorizamos os DTAs como uma opcionalidade”, acrescenta o JB Capital.

Como se sabe o banco vai distribuir 225 milhões de euros em dividendos (60% do lucro do 2º semestre de 2024) e pretende manter os pagamentos perto dos 60% nos próximos anos. Este é o limite superior da política de pagamento de 40% a 60%. Ao mesmo tempo, o Novobanco prevê distribuições totais de 3,3 mil milhões de euros entre 2025 e 2027, dos quais 1,1 mil milhões de euros serão distribuídos nos próximos meses (sob a forma de share buyback). Sobre a política generosa de distribuição de capital, o banco de investimento diz que “acreditamos que isso [distribuição de 1,11 mil milhões] acontecerá antes de qualquer transação, como esperávamos anteriormente. Os 2,2 mil milhões de euros serão uma mistura de pagamentos em dinheiro e dividendos especiais ou recompras que serão decididos mais tarde”.

“Os 2,2 mil milhões de euros rendem 11% a 13% em média nos próximos três anos, o que é favorável em comparação com os cerca de 9% oferecidos pelos bancos ibéricos dentro da nossa cobertura. Observamos que o Novobanco espera reduzir o seu rácio CET1 (na versão ully loaded) para 13,0% a 13,5% a médio prazo. Observámos também que utilizámos o limite superior da orientação do CoR (custo do risco de crédito), com uma estimativa de 30 bps para os próximos anos, e somos um pouco mais conservadores quanto ao rácio de capital CTI”, acrescenta.

O Novobanco vai retomar o roadshow e até ao fim da próxima semana, o CEO Mark Bourke estará entre Londres e Nova Iorque em reuniões com investidores, segundo o jornal “Eco”.


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