Jeroen Dijsselbloem: “Mário Centeno foi, desde o primeiro dia, um colega muito sério”

Questionado pela “TSF” sobre as alegadas comparações a um segundo Yanis Varoufakis, o ex-presidente do Eurogrupo disse que não acha a crítica justa. Porém, acredita que o ministro das Finanças demissionário ainda não ultrapassou os dogmas sobre a austeridade.

Yves Herman / Reuters

O ex-presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem considera que o mandato de Mário Centeno na liderança de grupo de ministros das Finanças da zona euro “tem sido um período com as suas complexidades específicas” e diz que o colega tem realizado um trabalho “construtivo”.

No entanto, acredita que o ministro das Finanças demissionário ainda não ultrapassou os dogmas do Eurogrupo sobre a austeridade. “Acompanhei a política orçamental dele, muito proximamente, e ele manteve um orçamento muito restrito, em Portugal”, afirmou o ex-responsável pela pasta das Finanças holandesa, em entrevista à “TSF”.

Questionado pela rádio sobre as alegadas comparações de Mário Centeno a um segundo Yanis Varoufakis, Jeroen Dijsselbloem disse que não acha a crítica justa. Não penso que isso alguma vez tenha sido verdade. Mário Centeno foi desde o primeiro dia, um colega muito sério, que assumiu compromissos e a partilha de responsabilidade do Eurogrupo, muito seriamente”, afirmou.

O ex-presidente do Eurogrupo referiu também que “algumas pessoas dizem que é ainda mais difícil administrar um grupo como o Eurogrupo se não houver crise” porque não há o sentido de agir com urgência – apresentar medidas e tomar decisões no imediato.

“Durante os anos de crise, é claro, houve uma enorme quantidade de urgência. Nós precisávamos agir. Precisávamos construir uma união bancária. Precisávamos configurar o Mecanismo Europeu de Estabilidade. Precisávamos de projetar e negociar programas com diferentes países”, lembrou.

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