Jerónimo de Sousa diz que existem “todas as condições” para que o dinheiro de Bruxelas seja “bem aplicado”

O secretário-geral do PCP diz que o partido não irá “levantar a dificuldade pela dificuldade”, comprometendo-se com a apresentação de propostas concretas.

Jerónimo de Sousa

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, mostrou-se disponível para uma contribuição para o Plano de Recuperação e Resiliência, salientando que apesar das “omissões” a problemas concretos que encontra no esboço do Governo, existe espaço para a convergência em áreas fundamentais.

“É agora nesta fase inicial, que com o conhecimento dos conteúdos e com a elaboração dessas propostas que vamos colocar, procurar soluções. Não vamos levantar a dificuldade pela dificuldade”, afirmou o secretário-geral do PCP, esta segunda-feira à saída do encontro com o primeiro-ministro no Palácio de São Bento, onde os partidos estão a ser recebidos para debater o Plano de Recuperação e Resiliência, em declarações transmitidas pela RTP3.

Para Jerónimo de Sousa, “existem todas as condições para que o dinheiro seja bem aplicado, para que as verbas sejam bem aplicadas a partir da situação que vivemos”. O Governo irá entregar à Comissão Europeia o primeiro esboço do Plano de Recuperação a 15 de outubro, mas antes irá debater o tema no Parlamento, esta semana.

“Estamos empenhados em dar a nossa contribuição com propostas concretas. Existem divergências, particularmente logo a primeira ideia em relação à omissão de quanto à questão da valorização do trabalho e dos trabalhadores. Procurámos com as nossas propostas dar uma contribuição para que este Plano de Recuperação e Resiliência, tendo em conta esta disponibilidade dos fundos comunitários é a altura de procurar através da defesa do interessa nacional, que esses fundos venham e sejam aplicados na resposta aos problemas desta conjuntura, mas simultaneamente dar resposta a problemas que têm sido adiados e agravados particularmente no plano económico, da produção nacional, dos instrumentos para que o nosso país encontre as respostas necessárias”, disse.

Assinalou entre as principais fragilidades, o que considera ser, a falta de profissionais na saúde, na segurança social, na justiça, nas forças de segurança, nas escolas, “em que é necessário esse reforço de emprego público para dar resposta aos problemas que aí estão”.

“É um momento para potenciar a nossa economia e os comandos estratégicos, de empresas estratégicas que tanta falta fazem ao país devido à sua privatização. Tempo de retomar o controlo público de muitas dessas empresas estratégicas que foram entregues”, vincou.

Apesar de admitir que existe diferença de opinião em diversas áreas, sublinhou que “não existe uma divergência insanável”, sublinhando que “a posição do PCP é a que melhor serve o interesse nacional”.

Depois da Iniciativa Liberal, do PEV e do PCP, o Governo reunirá nesta segunda-feira com o PAN, Chega, CDS, Bloco de Esquerda e PSD, seguindo-se na terça-feira a discussão do documento no Conselho Económico e Social e na quarta-feira um debate parlamentar que contará com a presença de António Costa.

Ler mais

Relacionadas

Iniciativa Liberal vê Plano de Resiliência como “indício de uma oportunidade perdida”

João Cotrim Figueiredo reagiu ao Plano de Recuperação e Resiliência com críticas ao “dirigismo” e “aspetos propagandísticos” de um documento em que apenas um terço das verbas se destinam a investimento reprodutivo, com recapitalização das empresas e geração de emprego.

PEV também qualifica Plano de Recuperação e Resiliência de “oportunidade perdida”

“Verdes” saíram “preocupados” da reunião com o primeiro-ministro, coincidindo com a Iniciativa Liberal nas dúvidas quanto à forma como as propostas do documento podem criar “condições reprodutivas que possam permitir o desenvolvimento do país e do bem-estar das populações”.
Recomendadas

Edmundo Martinho vai liderar comissão para elaborar Estratégia Nacional de Combate à Pobreza

O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e mais seis individualidades entre as quais Carlos Farinha Rodrigues, especialista em pobreza e desigualdades, integram a recém-criada comissão que irá elaborar a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza que será apresentada pelo Governo até 15 de dezembro. Despacho que cria nova comissão foi hoje publicado em Diário da República e sinaliza que medidas terão em conta a “degradação” das condições materiais de muitos portugueses devido à pandemia.

Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

A semana será marcada pela discussão e votação na generalidade do Orçamento do Estado para 2021. Os analistas e investidores estarão ainda atentos à reunião do Banco Central Europeu e aos sinais que chegam sobre a economia, através da publicação da estimativa rápida do PIB da zona euro, do terceiro trimestre.
Vasco Cordeiro com Carlos César

Vasco Cordeiro diz que o PS teve “vitória clara e inequívoca” nos Açores

Líder do PS-Açores, que procura o terceiro mandato enquanto presidente do governo regional, defendeu que as eleições deste domingo “não foram um plebiscito ao governo regional”. E recusou-se a comentar paralelismos com o que aconteceu em 2015, quando a coligação liderada por Passos Coelho foi a mais votada, mas o seu governo acabou por ser derrubado na Assembleia da República.
Comentários